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Doutrinas Celestes

Vida e Obra de
Emanuel Swedenborg
(1688-1772)

Experiências

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Em toda a sua obra Swedenborg se define "apenas como um instrumento". Um homem famoso, reputado como sábio, certamente tinha uma boa dose de vaidade intelectual. Mas, como tinha a crença em Deus e a consciência dos valores espirituais, à medida que entrava na pesquisa do reino da alma, compreendia, cada vez mais claramente, que era indispensável admitir a existência da Mente Divina criadora e mantenedora das ordens e leis que ia desvendando. 

Foi necessário que se despojasse de toda a vontade própria e das idéias preconcebidas, antes de se tornar um instrumento adequado para o trabalho que lhe seria incumbido. Sua consciência da liderança Divina ficou mais forte com o passar do tempo. Apesar de toda a ciência que sua mente acumulara, começou a perceber que tudo o que sabia era como nada diante do que havia à sua frente. Ou antes, que uma preparação estava em curso. No ano de 1743, durante uma de suas viagens, Swedenborg escreveu, na noite de 12 a 13 de outubro [1743], escreveu: "Descobri que estou em tal estado que não sei nada sobre a religião". E, no dia anterior, escreveu: "Não tenho nenhum conhecimento de religião; perdi-o por completo". 

Por essa época, seus sonhos e visões eram, freqüentemente, seguidos de violentos tremores, prostração, transes, suores e, pelo menos numa ocasião, vertigem. Durante esses episódios, Swedenborg imergia em um sono sobrenatural, por períodos de dez a treze horas. Seu sistema nervoso estava, indubitavelmente, extenuado com toda essa pressão, já que durante o dia continuava se dedicando ao trabalho literário; e a Natureza exercia sua demanda. Podemos compreender porque freqüentemente passava por seus amigos na rua e sequer percebia seus cumprimentos.

Um crítico há de dizer que tais coisas são comuns a todos os entusiastas. No entanto, Swedenborg era justamente o inverso do entusiasta. E há aspectos de seu caso que diferem totalmente dessas experiências corriqueiras. Ao contrário do que geralmente ocorre nos extremos de transe ou de excitação religiosa, Swedenborg estava constantemente observando e estudando suas próprias experiências com olhos de cientista. Sabia perfeitamente que as pessoas eram levadas, pela emoção, a imaginar toda sorte de coisas e estava sempre precavido contra essas extravagâncias. Na noite de 6 para 7 de outubro, escreve: Os seres humanos podem ser facilmente desencaminhados por outros tipos de espíritos (por exemplo, espíritos malignos) que se apresentam aos homens segundo a qualidade do amor de cada um. Sobre uma de suas visões, escreveu: Nosso Senhor sabe melhor o que tudo isso significa. E continuando: Deus não permite que eu me equivoque sobre isso; acredito que não me equivocarei. Após uma noite de sonhos horríveis e tremores do corpo, escreve: Comecei a questionar se tudo isso não passava de mera fantasia. Parece evidente, portanto, que não estava sendo levado por sua imaginação.

O caso de Swedenborg é realmente único. Pode-se admitir que um ignorante, um fanático ou um débil mental confundam alucinações com a realidade; mas não um homem normal, um matemático e adepto da lógica, devoto das ciências naturais. Tampouco pode-se atribuir o ocorrido com Swedenborg a uma súbita "conversão". E não há nenhum indício de enfraquecimento das faculdades mentais ou doença mental, pois na época em que esses fenômenos ocorriam, Swedenborg estava trabalhando na publicação e editoração de seus trabalhos filosóficos que foram reconhecidos pelos mais notáveis intelectuais de nosso tempo, como sendo o produto de admirável capacidade mental; note-se, ainda, que continuou a escrever e publicar seus trabalhos durante quase trinta anos, com uma integridade e consistência que levaram os estudiosos que os examinaram a concluir que extrapolavam os limites da sabedoria de um mortal. A explicação mais plausível parece ser a do próprio Swedenborg.

Na época em que pesquisava a sede da alma no corpo, os indícios de sua transformação se faziam cada vez mais aparentes, principalmente no tocante à natureza e à unidade de Deus e da suprema Divindade de Jesus Cristo. Em um dos primeiros registros de seu diário, lê-se: Somente a Cristo, em quem reside a totalidade de Deus, devemos dirigir nossas preces. Ele é onipotente e o único Mediador. E uma oração citada acima foi novamente posta em sua boca: "Oh! Jesus Cristo, Todo poderoso".

A essa época, porém, ele ainda não tinha idéia da missão para a qual seria convocado, embora algumas passagens indiquem que tinha algumas premonições dela. Na noite de 21 para 22 de abril, escreve: Como eu parecia tão distante de Deus e não podia pensar nEle de maneira suficientemente clara, cheguei a me perguntar se não seria melhor retornar à casa. No entanto, criei coragem e percebi que eu tinha vindo à Holanda para fazer aquilo que é o melhor de tudo e que eu tinha recebido o talento para propagar a glória de Deus; que o Espírito está comigo desde minha infância com esse propósito; portanto, eu seria indigno da vida se me afastasse do caminho traçado. Então, comecei a rir das seduções de riqueza, luxo e honrarias que tanto perseguira.

Esse admirável diário termina com o registro da noite de 26 para 27 de outubro; mas temos testemunhos de experiências posteriores em outros documentos. O mais importante desses é o depoimento de Carl Robsahm, sobre o relato do próprio Swedenborg a respeito da aparição do Senhor a ele, em abril de 1745. Não vemos necessidade de nos alongarmos em detalhes constantes de biografias anteriores; mas a parte final do depoimento é importante, pois marca o início da transformação da vida de Swedenborg. Essa experiência certamente irá determinar o caráter de seus anos vindouros. Um homem lhe apareceu numa hospedaria logo após o jantar; ficou visivelmente alarmado com a súbita aparição. Segundo Robsahm, o relato de Swedenborg pode ser resumido assim:

Fui para casa e durante a noite o mesmo homem revelou-Se a mim novamente; desta vez não tive medo. Ele então me disse que era o Senhor Deus, o Criador do mundo, o Redentor; e que tinha me escolhido para explicar aos homens o sentido espiritual da Escritura, e que Ele próprio iria explicar-me o que eu deveria escrever sobre esse assunto. Naquela mesma noite me foram revelados, para que eu ficasse plenamente convencido de sua realidade, o mundo dos espíritos, o céu e o inferno, e reconheci em cada um desses lugares todas as situações da vida. A partir daquele dia eu abandonei todos os estudos de ciências mundanas e me dediquei às coisas do espírito, sobre as quais o Senhor me ordenou escrever. Daí por diante o Senhor abriu, diariamente, os olhos do meu espírito, de modo a que eu pudesse ver, em pleno dia, o outro mundo e, num estado de perfeita vigília, conversar com anjos e espíritos.

Um depoimento realmente notável, feito de modo claro e simples, sem qualquer traço de misticismo ou fanatismo. Para saber se Swedenborg foi realmente favorecido, basta consultarmos seus trabalhos, que são a única resposta satisfatória a essa pergunta.

Na obra intitulada "A Verdadeira Religião Cristã (760 [740])", Swedenborg escreve o seguinte:

"A Segunda Vinda do Senhor se efetua por intermédio de um homem diante de quem o Senhor Se manifestou em pessoa e a quem encheu com seu espírito para ensinar de si mesmo as doutrinas da nova igreja confinadas na Palavra.

"Visto que o Senhor não pode manifestar-se outra vez em pessoa, apesar de ter profetizado que viria estabelecer uma Nova Igreja, a qual é a Nova Jerusalém, segue-se que essa manifestação será efetuada por intermédio de um homem que possa, não somente receber as doutrinas dessa Igreja em seu entendimento, mas também fazer sua propaganda pela imprensa. Que o Senhor se manifestou a mim, seu servo, e me encarregou desta missão, e depois abriu a vista de meu espírito, introduziu-me no Mundo Espiritual, permitiu-me ver os céus e os infernos e falar com os anjos e os espíritos, e isto continuadamente durante muitos anos até o presente (1771), eu testifico como verdade; testifico igualmente que, desde o primeiro dia de meu chamado a esta missão (1743), jamais recebi coisa alguma concernente às doutrinas desta Igreja por intermédio de qualquer anjo, mas tão somente do Senhor, enquanto eu lia a Palavra. Para que pudesse estar sempre presente, revelou-me o Senhor o sentido espiritual de Sua Palavra, no qual o Divino Vero está em sua luz".

Swedenborg era já ancião venerável, com mais de sessenta anos, quando, pela primeira vez, declarou ao mundo que havia sido chamado para sua missão religiosa. Sob o ponto de vista do interesse material, teria ele, desde então, muito que perder e nada que ganhar. Embora não houvesse, na Suécia, quem fosse mais respeitado e admirado pela sua ciência, nem quem tivesse integridade de caráter menos exposta a dúvidas, compreendeu Swedenborg que a maior parte do mundo céptico tomaria sua afirmação por absurda e não se dignaria de levá-la a sério, pondo-a de lado, sem qualquer exame. 

Numa conversa com Carl Robsahm, muitos anos mais tarde, comentou: "De minha parte nunca suspeitei que iria atingir o estado espiritual em que estou agora; mas o Senhor me escolheu para essa tarefa de revelar o significado espiritual das Sagradas Escrituras, conforme Ele havia prometido nos Profetas e no livro do Apocalipse. Até então, tinha-me dedicado a explorar a natureza, a química e as ciências da mineração e da anatomia".

Ele escreveu sua obra teológica sem esperar recompensa por ela e despendeu grandes importâncias de seu bolso sem esperança de reavê-las. Só teve despesas, e os lucros que, porventura, resultaram dessa obra foram distribuídos como contribuição para estender o conhecimento da Bíblia, de acordo com sua determinação. Não procurou discípulos, nem fez tentativa de organizar qualquer Igreja, tendo vaticinado, entretanto, que, com base nos seus escritos, uma Igreja se haveria de estabelecer.

É óbvio que tais considerações não serão suficientes para convencer alguém de que é verdade o que Swedenborg escreveu, mas devem constituir razão bastante para que se façam investigações e estudos sérios sobre as obras referidas.

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