Assessor Extraordinário
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No final de 1716 o Rei Carlos
XII nomeou o jovem
Swedenborg "Assessor Extraordinário" (isto é,
um "assessor extra", acima do número regulamentar) do
Conselho de Mineração, o departamento público responsável pela
supervisão de toda a indústria de mineração da Suécia. Sua
capacitação para o cargo foi atestada por Polhem, em carta escrita a
Benzelius, datada de 10 de dezembro de 1715. Na carta, o célebre
inventor diz: "Acho que o jovem Swedenborg é um matemático
consumado e tem muita aptidão para as ciências mecânicas; se
continuar assim, ele certamente será, oportunamente, de grande valia
para os serviços de seu rei e de seu país nesses campos de
especialização mais do que em qualquer outro". Em outra carta,
Polhem fala sobre outras virtudes de Swedenborg, destacando seu
"espírito de iniciativa".
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Rei Carlos XII
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Parece que o rei ofereceu ao
jovem Swedenborg três cargos, antes de nomeá-lo para o Conselho de
Mineração. Embora Swedenborg não recebesse salário até ser
efetivado como Assessor, achou o trabalho compatível com seus
objetivos e, dois anos mais tarde, rejeitou convite para assumir a
cadeira de astronomia na Universidade de Uppsala, citando os seguintes
motivos: "1) Já tenho um cargo honrado; 2) neste cargo posso ser
útil ao meu país; com efeito, de forma mais direta do que em
qualquer outro cargo; 3) portanto, estou declinando de uma cátedra
que não só não é do meu gosto, como meu intento é dedicar-me à
mecânica e à química; e nosso Conselho é notório pela
deficiência de seus membros nessas disciplinas (confidencia em carta
ao cunhado); portanto, vou tentar suprir essa deficiência e espero
que meus esforços nesse sentido sejam bem sucedidos".
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Havia outras razões para a
recusa de Swedenborg. Em carta posterior, escreve: "Espero ser
útil no cargo que me foi confiado, como espero também obter as
vantagens inerentes; meu cargo atual está apenas a um degrau de um
posto superior, enquanto em Uppsala não teria qualquer perspectiva de
promoção; ademais, acho que o rei não gostaria de me ver deixar meu
cargo atual. Com respeito ao Conselho, vou tentar diligentemente
especializar-me em mecânica, física, e química, e familiarizar-me
com todos os fatos pertinentes a essas ciências, a fim de calar a
boca daqueles que dizem que entrei para o Conselho pela janela".
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Durante seus primeiros tempos
no Conselho de Mineração foi designado para trabalhar em projetos
especiais com seu patrono e amigo, Polhem. O mais importante desses
projetos foi relacionado com o cerco de Frederikstad, em 1718, quando
duas galeras, cinco barcos de grande calado e uma corveta tiveram de
ser transportadas por terra, de Strömstad a Iddefjord, num percurso
de 14 milhas inglesas, sob a supervisão de Swedenborg. Outros
projetos de vulto foram a construção das docas de Karlskrona e o
projeto do canal ligando o Mar do Norte ao Mar Báltico, que não
chegou a ser executado, em virtude da morte do rei.
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Assessor titular
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A 15 de julho de 1724,
Swedenborg, então com 36 anos de idade, foi nomeado assessor titular
do Conselho de Mineração, com um salário anual de 800 dalares de
prata. Somente em 1730 começou a receber o salário integral de 1.200
dalares de prata. Os arquivos do Conselho mostram que ele era muito
cioso de suas obrigações e seu trabalho era muito elogiado pelos
colegas. Mas suas atividades iam muito além das funções de seu
cargo. Estava constantemente recolhendo informações para futuras
publicações e, no começo de 1733, tinha, prontos para impressão,
vários trabalhos científicos e filosóficos. Pediu licença de nove
meses para tratar pessoalmente da publicação desses trabalhos em
Dresden e Leipzig. A licença foi concedida por decreto real.
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Os trabalhos em questão eram:
Opera Philosophica et Mineralia, em três volumes, com gravuras em
cobre, e Prodromus Philosophiae Ratiocinantis de Infinito etc.,
sobre os quais falaremos em um dos capítulos seguintes. Os custos da
edição da primeira obra, certamente bastante vultosos, foram
cobertos pelo antigo patrono de Swedenborg, o Duque de
Brunswick-Lüneburg. A obra foi muito bem recebida e excertos da
segunda parte, versando sobre manufatura de aço e ferro, foram
publicados em separado e até traduzidos para o francês ainda durante
a vida de seu autor.
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A publicação desses
trabalhos deu a Swedenborg grande reputação na Europa, ensejando-lhe
constante correspondência com os mais eminentes cientistas e
filósofos da época. Em 1734, a Academia de Ciências de São
Petersburgo o convidou para membro correspondente e foi um dos
primeiros membros eleitos para a Academia Real de Ciências de seu
país.
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Brasão da Família Swedenborg
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Político
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Filhos de eminente e venerado bispo, ele e
seus irmãos foram feitos nobres pela rainha Ulrica Eleonora, em 1719.
Sua entrada para a Casa dos Nobres coincide, portanto, com a
implantação dos postulados liberais na Suécia. Durante sua
infância e juventude, Swedenborg havia testemunhado os desmandos da
monarquia absolutista em seu país e tinha sentido, de perto, a
miséria e os infortúnios causados por uma guerra de dezoito anos que
mergulhou o país numa sucessão de batalhas que dizimaram milhares de
seus compatriotas e exauriram as finanças do país.
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"Portanto, era natural que Swedenborg fosse
fervoroso defensor de uma Constituição que impusesse um limite aos
poderes da monarquia absolutista. A promulgação dessa Constituição
evitou a dissolução do país e fez que, pouco a pouco, a
insatisfação reinante se transformasse em satisfação e esperança
para a maioria do povo sueco" (Nya Kyrlian och dess inflytande
pa theologiens Studium i Sverige, parte ii, pág. 48).
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Outro eminente escritor sueco, contemporâneo de
Swedenborg, escreveu: "Ele estava sempre conversando sobre
assuntos científicos e políticos e, mesmo depois que se retirou do
parlamento, acompanhava com interesse os trabalhos da Dieta. Suas
opiniões e arrazoados eram sempre muito incisivos, concisos e
lúcidos". Swedenborg tinha particular interesse pelas questões
financeiras e apresentou muitos projetos sobre moeda, câmbio e outros
assuntos de política econômico-financeira, no período de 1723 a
1761. O Conde von Höpken salienta que "Swedenborg foi autor de
importantes projetos de política econômico-financeira na legislatura
de 1761".
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O memorando mais antigo, datado de 5 de fevereiro de
1723, trata das finanças do país. Nesse documento, Swedenborg
deplora a decadência do comércio sueco e o déficit da balança
comercial que, segundo ele, estavam empobrecendo a Suécia. Swedenborg
atribuía essa decadência às perdas territoriais decorrentes da
guerra, às vultuosas despesas de guerra e a dilapidação da frota
sueca "durante os anos de guerra". Dentre as propostas
formuladas por ele, estava o desenvolvimento dos recursos naturais do
país, especialmente no setor da indústria do cobre e do ferro, e o
incremento da indústria manufatureira nacional, a fim de reduzir,
substancialmente, a importação de produtos essenciais. Outros
projetos tinham por objetivo estimular a produção no setor
metalúrgico, embora essa sua posição não tivesse muita
ressonância entre os seus pares do Conselho de Mineração. De fato,
os registros mostram que a maioria desses projetos terminou
engavetada.
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Em 1734, o parlamento sueco vivia momentos de
grande comoção, com a cisão no "partido do chapéu", por
causa da controvérsia que envolvia possível aliança franco-sueca
contra a Rússia, aliança essa que, segundo seus defensores, poderia
resultar na reconquista das províncias bálticas. Swedenborg se opôs
veementemente a esse plano, mediante um memorando em que resumiu,
magistralmente, os prós e contras da aliança e da participação da
Suécia na guerra franco-russa. Salientou que as precárias
condições sócio-econômicas do país e o reduzido número de
conscritos nas forças armadas inviabilizavam a participação da
Suécia numa guerra. E finalizou dizendo que seria mais importante
para a Suécia o incremento de seus recursos naturais do que uma
eventual reconquista de território no mar Báltico. Todavia,
Swedenborg afirmava que essa hegemonia russa jamais se perpetuaria.
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Swedenborg não se opunha a uma guerra de defesa, mas
à "arregimentação de recursos e vidas humanas para uma
conflagração que visava apenas a demonstrar bravura ou heroísmo
diante de um suposto inimigo", o que não lhe parecia lógico.
Principalmente no caso da Suécia, que não tinha o que temer das
nações vizinhas. Portanto, Swedenborg achava que a Suécia deveria
permanecer neutra, posição que, para sua satisfação, viu aprovada
pela Dieta.
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Dentre as soluções que propôs para remediar essa
situação, Swedenborg apresentou projeto determinando que a venda de
bebidas alcoólicas fosse feita "em estabelecimentos semelhantes
às padarias, dispondo de uma janela por onde, quem quisesse, poderia
comprar bebida sem permissão de entrar no local ou de permanecer no
balcão". Em outra proposição, aprovada pela Dieta, Swedenborg
propunha a limitação da destilação de uísque e do aumento de
preço para se obter licença para funcionamento de destilarias,
através de um programa de leilões públicos que geraria recursos
para programas agrícolas e de assistência social. Diante da
impossibilidade de proibir o consumo de bebidas alcoólicas,
Swedenborg achava, pragmaticamente, que a imposição de pesados
impostos sobre esses produtos carrearia para os cofres públicos
receita considerável.
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Swedenborg apontava a facilidade de se fazer
hipotecas e cauções imobiliárias, com o conseqüente endividamento
de todas as classes sociais junto aos bancos, como outra causa do
empobrecimento do país. Para aliviar essa situação, Swedenborg
propôs que os empréstimos com garantia de hipoteca imobiliária
ficassem sujeitos a um rígido controle fiscal e os pagamentos dos
débitos fossem feitos em espécie.
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Salão do Parlamento.
Entre os brasões na parede
encontra-se o da família Swedenborg.
Sala do Presidente.
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Cinco anos mais tarde, Swedenborg voltou a abordar
esse mesmo tópico, num memorando onde demonstrava sólidos
conhecimentos dos princípios de administração financeira. Nesse
memorando, afirmava que a sobrevalorização da moeda sueca em
relação ao marco (em vinte anos saltara de trinta e seis para
sessenta e seis marcos) estava arruinando o país, e sugeriu várias
medidas. Swedenborg mostrou que a principal causa dessa anomalia
cambial fora a substituição da moeda metálica pela "moeda de
papel" (notas emitidas pelos bancos por conta das hipotecas
imobiliárias acima mencionadas), cujo montante superava em muito os
depósitos bancários em dinheiro. E afirmou que essa alta taxa
cambial estava fazendo que o valor intrínseco da cunhagem em cobre
fosse superior ao valor nominativo da moeda. Portanto, com o câmbio
acima de sessenta marcos, o valor do metal ficava acima do valor em
papel, fazendo com que a moeda fosse derretida ou levada para o
estrangeiro.
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Swedenborg defendia, ardorosamente, a
implementação de um câmbio honesto como a solução para o
problema, e dizia que "só a moeda de metal poderia normalizar a
situação cambial". Anuía, ainda, que "a moeda era tão
vital para o país quanto o sangue para o corpo humano, do que depende
sua vida, sua saúde, sua força e sua defesa". E propôs a
suspensão de todos os empréstimos sob caução ou hipoteca
imobiliárias, bem como de todos os empréstimos bancários ao setor
privado, com exceção daqueles de interesse do Estado e garantidos
por ouro ou prata, como era costume. A medida proposta por Swedenborg
estabelecia, também, que as hipotecas imobiliárias fossem,
gradualmente, resgatadas, através da quitação anual de uma parte do
saldo devedor, acrescida dos juros correspondentes, determinando a
suspensão das operações com "certificados de hipotecas
imobiliárias"; e obrigava os bancos a aumentarem seus ativos em
moeda com lastro de metal; ao mesmo tempo, sugeria a suspensão
imediata de todas as exportações do cobre, em moeda ou
"cru"; a redução nos quadros de pessoal da rede bancária
e, finalmente, o monopólio estatal da destilação de uísque.
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Esse memorando de Swedenborg demonstra sua perfeita
percepção do problema e se torna ainda mais notável quando sabemos
que foi elaborado num período em que seu autor estava plenamente
engajado em seus estudos espirituais (1747/1760) e durante o qual suas
experiências sobrenaturais se tornavam mais freqüentes e ainda não
inteiramente públicas. Portanto, se fosse interesse de Swedenborg,
teria permanecido atuando na política e desfrutando de excelente
reputação nesse mister.
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Swedenborg reforçou as posições defendidas no
memorando supracitado com a apresentação de uma moção ao
parlamento em favor da restauração de uma moeda com lastro de metal,
outros pronunciamentos sobre política cambial e um memorando ao rei,
abordando questões relacionadas com a exportação do cobre. No
primeiro desses documentos, Swedenborg urgiu a Dieta a tomar severas
medidas, no sentido de assegurar a devolução dos "certificados
de hipotecas imobiliárias" aos bancos e sua imediata
substituição por moeda de valor intrínseco; do contrário, afirmava
Swedenborg, os preços de todos os gêneros continuarão a subir,
descontroladamente, levando o país à bancarrota e à falência da
"moeda papel". E essa virtual falência do sistema
monetário estava evidente se considerássemos que dois dalers-papel
equivaliam a três dalers-metal no mercado externo e a dois
dalers-metal no meio circulante interno. E concluiu seu arrazoado com
essas sábias palavras: "O lastro cambial está na moeda-metal e
nela também está o valor intrínseco de todas as mercadorias. Nenhum
país pode subsistir com sua moeda lastreada por papel".
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Swedenborg foi convidado a assumir um lugar na Comissão de
Política Cambial, e seria um membro valioso, mas declinou do convite,
porque não concordava com seus estatutos. Suas sugestões, todavia,
foram muito bem acolhidas pelos membros dessa comissão. Com efeito,
em janeiro de 1762, a comissão determinou que os bens móveis não
mais poderiam ser caucionados como garantia de empréstimos. E, na
legislatura seguinte, o parlamento promulgou uma lei determinando que
os bancos mantivessem seus depósitos em papel moeda ao par com suas
reservas de ouro.
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O último documento político de Swedenborg que
chegou às nossas mãos foi um discurso que proferiu na Dieta, entre
maio e julho de 1761, em defesa da reintegração de três senadores
que tinham tido seus mandatos cassados, em virtude de sua
participação na guerra contra Frederico, o Grande. O discurso,
intitulado "Manifesto sobre a integridade do país e a
preservação da liberdade", alerta a opinião pública contra a
ameaça da implantação de uma nova forma de monarquia absolutista na
Suécia, proposta por um dos partidos e veementemente combatida pelos
três senadores. Ao contrário de seu pai, Swedenborg não acreditava
na autoridade Divina dos monarcas. "Ninguém", afirmava ele,
"tem o direito de se arrogar poderes para gerir a vida e os bens
dos indivíduos. Pois somente Deus tem esse poder e os homens não
passam de meros mordomos Seus neste mundo". Teve novamente a
satisfação de ver seus apelos atendidos, visto que dois dos três
senadores foram reconduzidos às suas posições.
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Esse episódio encerra o registro da intensa
carreira política de Swedenborg. Todos os documentos a que nos
referimos, independentemente de sua relevância, revelam
discernimento, bom senso e um fervoroso desejo de servir à pátria.
Vale notar, ainda, que esses documentos constituem prova irrefutável
da perfeita sanidade mental de Swedenborg, numa época em que muitos
insinuavam estar ele sujeito a alucinações.
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Aposentadoria
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Swedenborg permaneceu no cargo de Assessor do
Conselho Real de Mineração até meados de 1747, quando se aposentou
com uma pensão equivalente à metade de seu salário. A documentação
referente à sua aposentadoria, que está preservada, é de grande
importância para atestar sua sanidade e capacidade mental à época em
que ocorriam as extraordinárias experiências que acabamos de relatar.
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Na época de Swedenborg, o Conselho de Mineração
consistia de um presidente, que pertencia à alta nobreza, dois
conselheiros e uns seis assessores.
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Na primavera de 1747, portanto mais de dois anos
depois de sua intromissão integral no mundo do além, um dos
conselheiros se aposentou e Swedenborg foi unanimemente indicado por
seus pares para substituí-lo. Ao invés de aceitar a designação,
Swedenborg dirigiu memorial ao Rei, datado de 2 de junho de 1747, nos
seguintes termos:
"Mui poderoso e gracioso Rei,
"O Conselho de Mineração de Vossa Majestade
submeteu à sua alta consideração minha nomeação para o cargo
vacante de Conselheiro de Mineração. Como me considero obrigado a
levar a cabo o trabalho a que atualmente estou dedicado, venho
humildemente solicitar que Vossa Majestade nomeie outra pessoa para
aquele cargo e, generosamente, me dispense das minhas funções.
"É meu desejo que Vossa Majestade me dispense
dessas funções sem me promover a nenhum cargo hierarquicamente
superior (...) Finalmente, venho pedir a Vossa Majestade que me conceda
metade de meus salários a título de proventos de aposentadoria e me
dê autorização para viajar ao exterior, onde darei continuidade ao
trabalho de que ora me ocupo. Renovo à Vossa Majestade, mui generoso
Soberano, meus protestos de lealdade e humildade (Ass.) Emanuel
Swedenborg".
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O decreto real dispensando Swedenborg do cargo que
exerceu com grande distinção, e concedendo-lhe pensão equivalente à
metade de seu salário, foi publicado a 12 de junho e encaminhado ao
Conselho de Mineração no dia 15. Todos os membros do Conselho manifestaram seu pesar
pela perda de tão eminente colega e solicitaram que o Sr. Swedenborg
permanecesse no cargo até que todos os casos em tramitação durante
sua gestão no Conselho fossem decididos. Swedenborg prontamente acedeu
a esse pedido" (Ata do Conselho, em 15 de junho de 1747). A última participação de Swedenborg no Conselho de
Mineração se deu a 17 de junho de 1747. Na ata da sessão consta a
seguinte menção:
O Assessor Swedenborg, que tenciona viajar para o
exterior o mais breve possível, obteve aposentadoria de seu cargo neste
Conselho. Neste ensejo, deseja expressar a seus colegas do Conselho seus
mais penhorados agradecimentos por seu generoso apoio e consideração
durante o período em que esteve no exercício do cargo. O Conselho Real agradeceu ao ilustre Assessor pela
eficiência e fidelidade com que se desincumbiu de suas funções de
Assessor deste Conselho e lhe desejou uma viagem profícua e um feliz
retorno. O Sr. Swedenborg retirou-se em seguida.
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