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Doutrinas Celestes

Vida e Obra de
Emanuel Swedenborg
(1688-1772)

Origens

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Jesper Swedberg

Bispo Jesper Swedberg

Jesper Swedberg, nascido em 1653, pai de Emanuel, foi o segundo filho de Daniel Isaacsson. Seus pais, pessoas muito piedosas, o dedicaram à igreja e foi ordenado em 1682. 

Foi designado Capelão da Cavalaria da Guarda no mesmo ano, nomeado Capelão da Corte em 1686, Deão e Pastor de Vingaker em 1690, Professor da Universidade de Uppsala em 1692, Reitor de Uppsala, em 1694, e Bispo de Skara, em 1702, tendo ocupado este último posto durante trinta e três anos. Era homem de vida correta e piedosa, trabalhador incansável e reformador entusiástico.

Pregador destemido e honesto, tinha a simpatia do rei Carlos XI, que o fez Capelão da Corte, e, postumamente, recebeu o título de nobreza da Rainha Ulrica Eleonora, que foi conferido, por direito de herança, aos seus filhos.

Os biógrafos de Jesper Swedberg afirmam que, por sua conduta exemplar, ele teve um papel de destaque entre seus pares, a ponto de provocar o seguinte comentário de um de seus contemporâneos: "Se ele tivesse vivido alguns séculos antes, a Suécia teria hoje número bem maior de santos. Sua sabedoria, seu espírito empreendedor, seu exemplo de vida e sua dedicação à glória de Deus, merecem ser reverenciados até neste século de maior saber". Ele se dedicou muito à causa da educação, tanto como capelão do exército, quando instituiu um prêmio para cada soldado que aprendesse a ler, quanto como professor de teologia e, mais tarde, reitor da Universidade de Uppsala. Procedeu à reforma do ensino público, escrevendo e editando muitos livros didáticos e, de todas as maneiras, contribuiu para promover o avanço do ensino.

A religião de Jesper Swedberg era eminentemente prática. Na Igreja Luterana, a exemplo de outras denominações protestantes, a fé foi elevada a um nível tal de preeminência, que as boas ações ficaram depreciadas e a moralidade conseqüentemente comprometida. Swedberg achava que a verdadeira fé não poderia estar dissociada de uma vida produtiva e caritativa. Ele denunciava que "muitos se contentavam com o primeiro e segundo parágrafos da "grande fé" (stor-trön em sueco), mas não prestavam atenção aos ensinamentos do terceiro parágrafo, com a "santificação e uma vida sagrada". "A fé da cabeça" (hjarne trön), ou seja, a "fé do cérebro" e a "fé do demônio" eram para ele sinônimos. Foi um pregador destemido, denunciando tanto as faltas daqueles que ocupavam cargos importantes, como os deslizes dos mais modestos pecadores; era especialmente severo com a falta de religiosidade desses últimos e sua abusiva e escandalosa dependência da assistência da igreja.

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Jesper traduziu todo o Antigo Testamento do hebraico para o sueco, fato que, por si, só, já teria dado um grande significado à sua vida.. Seu ecumenismo era notável, considerando-se a época em que viveu. Estava sempre pronto a aceitar as coisas boas de todas as religiões e durante uma visita à Inglaterra chegou a discutir fervorosamente a questão da unificação das denominações cristãs com o Bispo Fell, de Oxford. Admirava o trabalho social da igreja nos países católicos romanos, bem como a dedicação das pessoas influentes desses países aos doentes e pobres; em seu próprio país louvou a prodigalidade dos "piedosos", embora não concordasse com todos os seus ensinamentos e práticas. 

O Conselheiro Sandels descreveu Swedberg como "homem obstinado, mas sem preconceitos". Era homem de gostos e hábitos simples, fácil de se satisfazer, que teve um razoável quinhão da riqueza deste mundo, mas morreu pobre, tendo gastado boa parte de sua riqueza na impressão e edição de livros e outros projetos sem fins lucrativos.

Não é de admirar que, para um homem devotado e zeloso como o Bispo Swedberg, as coisas do mundo espiritual tenham sido sempre tão tangíveis. Acreditava piamente na presença de anjos entre os homens e no seu papel de "espíritos ministradores", enviados para revelar aqueles que serão os "legatários da salvação" (Heb. 1:14). Viveu na companhia de seu "anjo da guarda" com quem dizia conversar de vez em quando. Acreditava ter outros dons espirituais, que se manifestavam em certas ocasiões, e parece ter tido poderes hipnóticos de cura. Não muito depois de sua ordenação, conta que ele e os moradores do povoado onde morava ouviram vozes vindas da igreja na hora do crepúsculo. Esse fato o convenceu da presença de visitantes angélicos e fez que reforçasse sua crença na divindade da missão a que se tinha dedicado. Todos esses fatos tiveram ainda maior influência nas extraordinárias experiências de seu filho Emanuel; a idéia do relacionamento íntimo que subsiste entre o mundo físico e o espiritual indubitavelmente provém dos ensinamentos de seu pai.

 

Näktergalen, residência construída por Jesper em Stora Torget

A história da construção dessa casa, tal qual aparece no "Almanaque Biográfico Sueco" (Swedish Biographiskt Lexicon), nos dá um testemunho esclarecedor sobre o caráter do pai de Swedenborg. "É interessante", diz o autor, "escutá-lo falar sobre a construção de sua nova casa. Eu sei, e posso testemunhar, pois presenciei tudo, que nenhum trabalho foi feito, nenhuma pedra foi levantada com hesitação ou incerteza; tudo foi feito com prazer e alegria. Não se ouviam queixas, lamúrias, discussões, insultos ou imprecações. Quando a obra acabou, no outono de 1698, ele convidou para a festa da inauguração todos os pobres da cidade. Ele, sua mulher e seus filhos serviram todos os convidados. Tudo transcorreu dentro da mais perfeita ordem e essa festa de caridade se encerrou com cânticos, preces, bênçãos mútuas e graças a Deus". Podemos supor que Swedenborg, então com dez anos de idade, participou de toda essa festa.

 

Catedral de Uppsala

Sara Behm

Sarah Behm

De sua mãe, Sarah Behm Swedberg (1666-1696) não há muitas notícias; ela era obviamente muito ocupada com suas tarefas domésticas, tendo tido nove filhos durante seus doze anos de vida matrimonial. Morreu aos trinta anos de idade, quando Emanuel tinha apenas oito anos.

 

Infância de Swedenborg

Nasceu em Estocolmo, a 29 de janeiro de 1688 e era o segundo filho homem e o terceiro de todos os pais. 

Em 1692 (o jovem Emanuel estava com quatro anos), seus pais se mudaram para Uppsala, onde Jesper foi nomeado professor de Teologia e Reitor da grande Universidade de Uppsala. Aos 8 anos de idade, o menino perde a mãe, Sarah. Jesper se casa novamente com outra Sara (sara Bergia) e esta foi madrasta muito bondosa para com os enteados, incluindo o menino Emanuel. Ela era, também, muito rica, deixando para ele uma grande fortuna, especialmente sociedades em indústrias de mineração.

Casa que foi residência dos Swedberg em Brunnsbo

Além disso, tudo o que se sabe sobre a infância de Swedenborg  provém de uma carta que escreveu, em 1769, a seu amigo, Dr. Beyer, professor de grego na Universidade de Gotemburgo. Na carta diz: "Dos quatro aos dez anos eu estava constantemente meditando sobre Deus, a salvação e as experiências espirituais do homem; às vezes fazia revelações que levavam meus pais a dizer que os anjos estavam falando através de mim. Dos seis aos doze anos eu tinha muito prazer em conversar com clérigos sobre fé, afirmando-lhes que o que dá vida à fé é o amor e que o amor que é a fonte da vida é o amor ao próximo; dizia-lhes também que Deus deu a fé para todos, mas só aqueles que praticam o amor são merecedores dela. Naquele tempo eu só sabia que Deus era o Criador e Preservador da Natureza e que Ele deu ao homem compreensão e boa disposição e algumas outras coisas do gênero. Eu não sabia nada sobre aquela fé cultivada que nos ensina que Deus, o Pai, transmite as virtudes de Seu Filho a quem quer que seja e, a qualquer tempo que Ele escolha, até mesmo àqueles que ainda não se arrependeram e não reabilitaram suas vidas. E se isso me tivesse sido revelado, naquela época como agora, tudo estaria muito acima de minha compreensão".

Eric Benzelius

Swedenborg, em 1707 (19 anos)

Em 1699, aos onze anos de idade, Emanuel foi matriculado na Universidade, onde estudou durante dez anos. Todas as matérias vistas hoje num curso básico e pré-universitário eram dados, naquela época, num único curriculum que enfatizava matemática e ciências naturais, numa mesclafem com grego, teologia, direito e outras matérias. 

Quando Emanuel tinha 15 anos, em 1703, o rei Carlos XII nomeou Jesper Swedberg para a posição de Bispo de Skara (o que incluía ser o Bispo para as igrejas suecas que havia nas colônias britâncias da América). O pai mudou-se para Skara, mas Emanuel ficou em Uppsala, para continuar seus estudos, agora na Universidade. Ficou, então, morando com a irmã mais velha, que havia se casado com Dr. Eric Benzelius (1675-1743). Esse homem tinha sido Bibliotecário e professor da Universidade de Uppsala. Ele veio a ser tutor e grande amigo do jovem Emanue, que o tinha como pail. Benzelius veio a se tornar um dos homens mais cultos da Europa e arcebispo da Igreja Luterana na Suécia.

Naquela época, em Uppsala, todo o corpo acadêmico estava envolvido na argumentação quanto à liberdade de pensamento, conforme havia sido pregado pelo filósofo Descartes, quando ele ensinou ali, pouco antes de sua morte.  A resistência às idéias de Descartes era para que se mantivesse o antigo sistema, de se ensinar somente o que tivesse a aprovação da igreja. Nesses debates, Benzelius era cartesiano e Jesper era porta-voz da posição conservadora. Emanuel, durante muito tempo em sua vida, sentiu-se atormentado pelo conflito entre o cartesianismo defendido por seu "segundo pai" e a obediência devida à fé, defendida pelo bispo Swedberg.

Emanuel completa seu curso na Universidade em 1709. Um historiador classificou a sua dissertação final de formatura, elaborada com a orientação de seus superiores, como "um trabalho muito inteligente para um jovem".

Depois de deixar a universidade, publicou alguns de seus poemas em latim, que, segundo o conselheiro Sandels, mostravam "formidável sagacidade e que havia feito bom uso de sua juventude". Swedenborg continuou nessa atividade por alguns anos, e chegou a ser considerado poeta entre seus familiares.

Livre dos tutores, aulas e livros escolares, Swedenborg se refugia em Brunsbo, na residência episcopal perto de Skara, e começa a elaborar os planos para uma longa viagem ao estrangeiro. A maior dificuldade parece ter sido arranjar os recursos para a viagem; seu pai era um homem de poucas posses, muitos compromissos e não muito longe da penúria. Em carta datada de 13 de julho de 1709, Swedenborg pede a seu cunhado, Benzelius, assistência para seu projeto de viagem. Também solicita sua recomendação para uma faculdade inglesa, onde pudesse aperfeiçoar seus conhecimentos de matemática, física e história natural. Propunha-se a preparar um resumo das principais descobertas ocorridas no campo da matemática ao longo dos séculos e acrescentar-lhes tudo o que pudesse descobrir no curso de suas viagens.

 

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