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Jesper
Swedberg
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Bispo
Jesper Swedberg
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Jesper Swedberg,
nascido em 1653, pai de Emanuel, foi o segundo filho de Daniel
Isaacsson. Seus pais, pessoas muito piedosas, o dedicaram à
igreja e foi ordenado em 1682.
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Foi designado Capelão da Cavalaria
da Guarda no mesmo ano, nomeado Capelão da Corte em 1686, Deão e
Pastor de Vingaker em 1690, Professor da Universidade de Uppsala
em 1692, Reitor de Uppsala, em 1694, e Bispo de Skara, em 1702,
tendo ocupado este último posto durante trinta e três anos. Era
homem de vida correta e piedosa, trabalhador incansável e
reformador entusiástico.
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Pregador
destemido e honesto, tinha a simpatia do rei Carlos XI, que o fez
Capelão da Corte, e, postumamente, recebeu o título de nobreza
da Rainha Ulrica Eleonora, que foi conferido, por direito de
herança, aos seus filhos.
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Os
biógrafos de Jesper Swedberg afirmam que, por sua
conduta exemplar, ele teve um papel de destaque entre seus pares, a
ponto de provocar o seguinte comentário de um de seus
contemporâneos: "Se ele tivesse vivido alguns séculos
antes, a Suécia teria hoje número bem maior de santos. Sua
sabedoria, seu espírito empreendedor, seu exemplo de vida e sua
dedicação à glória de Deus, merecem ser reverenciados até
neste século de maior saber". Ele se dedicou muito à causa
da educação, tanto como capelão do exército, quando instituiu
um prêmio para cada soldado que aprendesse a ler, quanto como
professor de teologia e, mais tarde, reitor da Universidade de
Uppsala. Procedeu à reforma do ensino público, escrevendo e
editando muitos livros didáticos e, de todas as maneiras,
contribuiu para promover o avanço do ensino.
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A
religião de Jesper Swedberg era eminentemente prática. Na Igreja
Luterana, a exemplo de outras denominações protestantes, a fé foi
elevada a um nível tal de preeminência, que as boas ações ficaram
depreciadas e a moralidade conseqüentemente comprometida. Swedberg
achava que a verdadeira fé não poderia estar dissociada de uma vida
produtiva e caritativa. Ele denunciava que "muitos se contentavam
com o primeiro e segundo parágrafos da "grande fé" (stor-trön
em sueco), mas não prestavam atenção aos ensinamentos do terceiro
parágrafo, com a "santificação e uma vida sagrada".
"A fé da cabeça" (hjarne trön), ou seja, a
"fé do cérebro" e a "fé do demônio" eram para
ele sinônimos. Foi um pregador destemido, denunciando tanto as faltas
daqueles que ocupavam cargos importantes, como os deslizes dos mais
modestos pecadores; era especialmente severo com a falta de
religiosidade desses últimos e sua abusiva e escandalosa dependência
da assistência da igreja.
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Jesper
traduziu todo o Antigo Testamento do hebraico para o sueco, fato que,
por si, só, já teria dado um grande significado à sua vida.. Seu
ecumenismo era notável, considerando-se a época em que viveu. Estava
sempre pronto a aceitar as coisas boas de todas as religiões e
durante uma visita à Inglaterra chegou a discutir fervorosamente a
questão da unificação das denominações cristãs com o Bispo Fell,
de Oxford. Admirava o trabalho social da igreja nos países católicos
romanos, bem como a dedicação das pessoas influentes desses países
aos doentes e pobres; em seu próprio país louvou a prodigalidade dos
"piedosos", embora não concordasse com todos os seus
ensinamentos e práticas.
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O Conselheiro Sandels descreveu Swedberg
como "homem obstinado, mas sem preconceitos". Era homem de
gostos e hábitos simples, fácil de se satisfazer, que teve um
razoável quinhão da riqueza deste mundo, mas morreu pobre, tendo
gastado boa parte de sua riqueza na impressão e edição de livros e
outros projetos sem fins lucrativos.
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Não
é de admirar que, para um homem devotado e zeloso como o Bispo
Swedberg, as coisas do mundo espiritual tenham sido sempre tão
tangíveis. Acreditava piamente na presença de anjos entre os homens
e no seu papel de "espíritos ministradores", enviados para
revelar aqueles que serão os "legatários da salvação" (Heb.
1:14). Viveu na companhia de seu "anjo da guarda" com quem
dizia conversar de vez em quando. Acreditava ter outros dons
espirituais, que se manifestavam em certas ocasiões, e parece ter
tido poderes hipnóticos de cura. Não muito depois de sua
ordenação, conta que ele e os moradores do povoado onde morava
ouviram vozes vindas da igreja na hora do crepúsculo. Esse fato o
convenceu da presença de visitantes angélicos e fez que reforçasse
sua crença na divindade da missão a que se tinha dedicado. Todos
esses fatos tiveram ainda maior influência nas extraordinárias
experiências de seu filho Emanuel; a idéia do relacionamento íntimo
que subsiste entre o mundo físico e o espiritual indubitavelmente
provém dos ensinamentos de seu pai.
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Näktergalen, residência
construída por Jesper em Stora Torget
A história da construção
dessa casa, tal qual aparece no "Almanaque Biográfico Sueco"
(Swedish Biographiskt Lexicon), nos dá um testemunho
esclarecedor sobre o caráter do pai de Swedenborg. "É
interessante", diz o autor, "escutá-lo falar sobre a
construção de sua nova casa. Eu sei, e posso testemunhar, pois
presenciei tudo, que nenhum trabalho foi feito, nenhuma pedra foi
levantada com hesitação ou incerteza; tudo foi feito com prazer e
alegria. Não se ouviam queixas, lamúrias, discussões, insultos ou
imprecações. Quando a obra acabou, no outono de 1698, ele convidou
para a festa da inauguração todos os pobres da cidade. Ele, sua mulher
e seus filhos serviram todos os convidados. Tudo transcorreu dentro da
mais perfeita ordem e essa festa de caridade se encerrou com cânticos,
preces, bênçãos mútuas e graças a Deus". Podemos supor que
Swedenborg, então com dez anos de idade, participou de toda essa festa.

Catedral de Uppsala
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Sara Behm
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Sarah
Behm
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De
sua mãe, Sarah Behm Swedberg (1666-1696) não há muitas notícias;
ela era obviamente muito ocupada com suas tarefas domésticas, tendo
tido nove filhos durante seus doze anos de vida matrimonial. Morreu
aos trinta anos de idade, quando Emanuel tinha apenas oito anos.
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Infância
de Swedenborg
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Nasceu em
Estocolmo, a 29 de janeiro de 1688 e era o segundo filho homem e o
terceiro de todos os pais.
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Em 1692 (o jovem
Emanuel estava com quatro anos), seus pais se mudaram para Uppsala,
onde Jesper foi nomeado professor de Teologia e Reitor da grande
Universidade de Uppsala. Aos 8 anos de idade, o menino perde a mãe,
Sarah. Jesper se casa novamente com outra Sara (sara Bergia) e esta
foi madrasta muito bondosa para com os enteados, incluindo o menino
Emanuel. Ela era, também, muito rica, deixando para ele uma grande
fortuna, especialmente sociedades em indústrias de mineração.
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Casa que foi residência
dos Swedberg em Brunnsbo
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Além disso, tudo o que se sabe sobre
a infância de Swedenborg provém de uma carta que escreveu, em 1769, a
seu amigo, Dr. Beyer, professor de grego na Universidade de
Gotemburgo. Na carta diz: "Dos quatro aos dez anos eu estava
constantemente meditando sobre Deus, a salvação e as experiências
espirituais do homem; às vezes fazia revelações que levavam meus
pais a dizer que os anjos estavam falando através de mim. Dos seis
aos doze anos eu tinha muito prazer em conversar com clérigos sobre
fé, afirmando-lhes que o que dá vida à fé é o amor e que o amor
que é a fonte da vida é o amor ao próximo; dizia-lhes também que
Deus deu a fé para todos, mas só aqueles que praticam o amor são
merecedores dela. Naquele tempo eu só sabia que Deus era o Criador e
Preservador da Natureza e que Ele deu ao homem compreensão e boa
disposição e algumas outras coisas do gênero. Eu não sabia nada
sobre aquela fé cultivada que nos ensina que Deus, o Pai, transmite
as virtudes de Seu Filho a quem quer que seja e, a qualquer tempo que
Ele escolha, até mesmo àqueles que ainda não se arrependeram e não
reabilitaram suas vidas. E se isso me tivesse sido revelado, naquela
época como agora, tudo estaria muito acima de minha
compreensão".
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Eric Benzelius
Swedenborg, em 1707 (19
anos)
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Em 1699, aos onze anos de
idade, Emanuel foi matriculado na Universidade, onde estudou durante dez
anos. Todas as matérias vistas hoje num curso básico e
pré-universitário eram dados, naquela época, num único curriculum
que enfatizava matemática e ciências naturais, numa mesclafem com
grego, teologia, direito e outras matérias.
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Quando
Emanuel tinha 15 anos, em 1703, o rei Carlos XII nomeou Jesper Swedberg
para a posição de Bispo de Skara (o que incluía ser o Bispo para as
igrejas suecas que havia nas colônias britâncias da América). O pai
mudou-se para Skara, mas Emanuel ficou em Uppsala, para continuar seus
estudos, agora na Universidade. Ficou, então, morando com a irmã mais
velha, que havia se casado com Dr. Eric Benzelius (1675-1743). Esse
homem tinha sido Bibliotecário e professor da Universidade de Uppsala.
Ele veio a ser tutor e grande amigo do jovem Emanue, que o tinha como
pail. Benzelius veio a se tornar um dos homens mais cultos da Europa e
arcebispo da Igreja Luterana na Suécia.
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Naquela época, em Uppsala, todo o corpo acadêmico estava envolvido
na argumentação quanto à liberdade de pensamento, conforme havia
sido pregado pelo filósofo Descartes, quando ele ensinou ali, pouco
antes de sua morte. A resistência às idéias de Descartes era
para que se mantivesse o antigo sistema, de se ensinar somente o que
tivesse a aprovação da igreja. Nesses debates, Benzelius era
cartesiano e Jesper era porta-voz da posição conservadora. Emanuel,
durante muito tempo em sua vida, sentiu-se atormentado pelo conflito
entre o cartesianismo defendido por seu "segundo pai" e a
obediência devida à fé, defendida pelo bispo Swedberg.
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Emanuel completa seu curso na Universidade em 1709. Um historiador
classificou
a sua dissertação final de formatura, elaborada com a orientação
de seus superiores, como "um trabalho muito inteligente para um
jovem".
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Depois de deixar a universidade, publicou alguns de
seus poemas em latim, que, segundo o conselheiro Sandels, mostravam
"formidável sagacidade e que havia feito bom uso de sua
juventude". Swedenborg continuou nessa atividade por alguns anos,
e chegou a ser considerado poeta entre seus familiares.
- Livre dos tutores, aulas e livros escolares,
Swedenborg se refugia em Brunsbo, na residência episcopal perto de
Skara, e começa a elaborar os planos para uma longa viagem ao
estrangeiro. A maior dificuldade parece ter sido arranjar os recursos
para a viagem; seu pai era um homem de poucas posses, muitos
compromissos e não muito longe da penúria. Em carta datada de 13 de
julho de 1709, Swedenborg pede a seu cunhado, Benzelius, assistência
para seu projeto de viagem. Também solicita sua recomendação para
uma faculdade inglesa, onde pudesse aperfeiçoar seus conhecimentos de
matemática, física e história natural. Propunha-se a preparar um
resumo das principais descobertas ocorridas no campo da matemática ao
longo dos séculos e acrescentar-lhes tudo o que pudesse descobrir no
curso de suas viagens.
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