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Doutrinas Celestes

Vida e Obra de
Emanuel Swedenborg
(1688-1772)

Experiências

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"Se Swedenborg tivesse vocação para o charlatanismo, certamente teria feito fama e fortuna com a mera exibição de seus extraordinários poderes. Ao invés, porém, de exibir publicamente essas faculdades, raramente se referia a elas e se recusava a afirmar que sua missão estava ligada a esses poderes.

O prelado Oetinger escreveu assim sobre Swedenborg: "Que Swedenborg tem tido conhecimento de ocorrências, está amplamente corroborado por fatos bastante comprovados; recusa-se porém a usá-los com o intuito de dar credibilidade aos seus escritos". Mesmo quando instado por pessoas interessadas em saber a respeito de parentes e amigos mortos, entre as quais estavam até membros da Casa Real, ele gentilmente refutava esses pedidos, salvo se houvesse um razão que os justificasse. O Reverendo Nicholas Collin implorou-lhe o grande favor de entrar em contato com um irmão dele, falecido há alguns meses. Collin conta que Swedenborg lhe respondeu assim: "Deus houve por bem e sábio separar o mundo dos espíritos do nosso. Portanto, qualquer contato com o outro mundo não se faz possível sem fortes justificativas. E em seguida indagou-me sobre meus motivos. Confessei-lhe que não tinha nenhum motivo especial, mas apenas procurava satisfazer minha afeição fraternal e a curiosidade de explorar um mundo sublime e interessante para a mente séria. Ele, então, retrucou que meus motivos eram insuficientes. Se o pedido envolvesse assunto espiritualmente importante, ele o submeteria aos anjos que regulam essa matéria". O Reverendo Collin deve ter entendido mal a resposta de Swedenborg referir-se aos anjos, pois este ensina que todos os assuntos espirituais estão sob o controle exclusivo do Senhor e não de anjos ou espíritos.

 

"Apesar dessa relutância de Swedenborg em exibir as faculdades paranormais, há grande número de revelações feitas por várias pessoas de suas relações. Por mais fantásticas que possam ter sido essas revelações, Swedenborg nunca as considerou milagrosas, mas simplesmente a comprovação de sua interação com o mundo espiritual. Em carta a Venator, Swedenborg escreveu: "Esses episódios não devem ser vistos como coisa milagrosa, pois são meros testemunhos de que eu foi introduzido pelo Senhor no mundo espiritual. Lá tive oportunidade de conviver e conversar com anjos e espíritos; e minha experiência serve para provar à Igreja, que insiste em ignorar o outro mundo, que o céu e o inferno realmente existem; e, depois da morte, o homem vive como homem, tal como na vida terrena e, assim, nenhuma dúvida pode ocorrer em sua mente sobre a sua imortalidade". Ao sustentar a veracidade dessas ocorrências a Cuno, "ele não se delongou muito em explicações, enfatizando que há milhares dessas histórias; e que não lhe parecia importante tecer muitas considerações sobre esses fatos. Aduziu, ainda, que todas essas coisas não deviam empanar o verdadeiro objetivo de sua missão".

"Se nos alongássemos muito sobre essas extraordinárias ocorrências, estaríamos desrespeitando o desejo do nosso biografado. Entretanto, temos que considerar os fatos relatados a seguir como irrefutáveis provas de sua vidência.

"Jung-Stilling afirma que "há três histórias que certamente comprovam que Swedenborg tinha efetivamente um inter-relacionamento com o outro mundo: a revelação à rainha Louisa Ulrica, da Suécia, de um segredo que ela e seu irmão, o príncipe Augustus Williams, da Prússia, já falecido, mantinham; a visão, a grande distância, do incêndio de Estocolmo; e a revelação à viúva de M. de Marteville, ex-embaixador da Holanda em Estocolmo, do local onde seu marido tinha guardado um documento de suma importância. Essas histórias foram contadas por várias testemunhas, com algumas variações, como de costume, sem, contudo, comprometer sua autenticidade. O episódio que envolve a rainha Louisa Ulrica é, obviamente, o que desperta maior curiosidade e, por esta razão, apresenta o maior número de versões. Sabe-se que, tanto na Suécia quanto no exterior, as versões variavam de acordo com o narrador. A seguir, temos a versão do conde Höpken.

"Certo dia Swedenborg estava numa recepção na corte e Sua Majestade a rainha Louisa Ulrica lhe perguntou sobre coisas do outro mundo e, finalmente, se tinha visto o irmão dela, o príncipe da Prússia, ou falado com ele. Swedenborg respondeu-lhe que não. Sua Majestade, então, pediu-lhe que tentasse encontrá-lo e lhe transmitisse suas afetuosas saudações. Swedenborg acedeu prontamente ao pedido. Tenho minhas dúvidas sobre a seriedade do pedido da rainha. Daí a uns dias, Swedenborg compareceu a outra recepção na corte e, quando a rainha estava no Salão Branco, Swedenborg aproximou-se dela. A rainha não se lembrava mais do pedido feito há menos de uma semana. Swedenborg, então, saudou Sua Majestade como se fosse seu irmão, o príncipe Augustus Williams, da Prússia, e lhe pediu desculpas por não ter respondido à sua última carta; e disse a rainha que o faria através de Swedenborg, o que, efetivamente, o fez. A rainha ficou atônita e exclamou; ‘Ninguém, além de Deus, sabia desse segredo’. O segredo consistia em a rainha não desejar que viesse a público o fato de ela estar mantendo correspondência com a Prússia, então em guerra com a Suécia".

"Outra versão diz que a rainha quase desmaiou e que o Conde von Schwerin, ao vê-la tão aflita, censurou energicamente Swedenborg por sua conduta, ao mesmo tempo que o inquiria a respeito de seus estranhos poderes. O incidente teve grande repercussão e todos queriam saber os seus pormenores. C. F. Nordenskold diz que "a esposa do jardineiro de Swedenborg contava que, muito tempo depois desse incidente, carruagens paravam em frente à casa de Swedenborg e as pessoas mais importantes da corte lhe inquiriam sobre o episódio. Swedenborg, entretanto, fiel aos seus princípios, nada lhes dizia".

"Sobre o mesmo episódio, Jung-Stilling escreveu: "Essa ocorrência tem sido posta em dúvida em diversos pronunciamentos públicos, mas um renomado cidadão sueco, que jamais fora sequer amigo ou admirador de Swedenborg, me garantiu sua veracidade. E me forneceu provas pormenorizadas do episódio, as quais, infelizmente, não posso dar a conhecimento público, pois histórias envolvendo o mundo dos espíritos devem merecer a máxima discrição. Todavia, em Estocolmo, o episódio era amplamente conhecido".

"A narrativa mais minuciosa do incêndio de Estocolmo está contida numa carta de Immanuel Kant para Charlotte von Knobloch, datada de Konigsberg, aos 10 de outubro de 1759 [ou depois], transcrita a seguir:

"Esta ocorrência parece ser a prova cabal dos poderes paranormais de Swedenborg. Às 4 horas da tarde de um sábado de setembro, do ano de 1759, Swedenborg chegou a Gotemburgo, vindo da Inglaterra e foi convidado à casa do Sr. William Castel, junto com mais quinze pessoas. Por volta das 18 horas, Swedenborg deu uma saída e, momentos depois, retornou à sala, pálido e visivelmente alarmado. E, em voz alta, disse a todos que, naquele exato momento, um grande incêndio irrompera em Estocolmo, no bairro de Sodermalm (Gotemburgo distava 300 milhas inglesas de Estocolmo) e que o fogo se alastrava com muita rapidez. Swedenborg estava agitado e entrava e saía da sala. Disse que a casa de um de seus amigos, cujo nome declinou, estava em cinzas e que sua própria casa estava ameaçada pelo fogo. Às 20 horas, voltou à sala e exclamou exultante: ‘Graças a Deus! O fogo foi extinto a 3 portas da minha casa’. O incidente causou forte impressão nas pessoas que o presenciaram e teve ampla repercussão na cidade. E chegou ao conhecimento do Governador naquela mesma noite. Na manhã do dia seguinte, domingo, o governador convocou Swedenborg ao palácio e quis saber todos os pormenores do sinistro. Swedenborg descreveu-lhe, minuciosamente, todo o incidente; como o incêndio tinha começado; quanto tempo tinha durado e como tinha sido extinto. Naquele mesmo dia o episódio se espalhou pela cidade e, com o endosso do governador, a notícia causou grande consternação. Todos lamentavam a sorte de amigos e parentes que poderiam ter sido atingidos pelo incêndio. Segunda-feira à noite chegou a Gotemburgo um mensageiro enviado pela Câmara de Comércio de Gotemburgo e que havia deixado a cidade durante o incêndio. As cartas trazidas por ele descreviam o sinistro tal qual Swedenborg o descrevera. Na manhã de terça-feira, chegou ao palácio do governador um mensageiro real trazendo o trágico relato do incêndio. Tudo coincidia, exatamente, com a descrição de Swedenborg; o fogo tinha sido, efetivamente, debelado às vinte horas do domingo".

."Dentre as muitas versões do caso de Madame Marteville, reproduzidas pelo Dr. R. L. Tafel em seu livro Documents, selecionamos novamente a que foi contada por Kant a Charlotte von Knobloch, baseada em informações que ele (Kant) recebera de um amigo a quem incumbira de investigar o episódio in loco.

"A senhora Marteville, viúva do embaixador da Holanda em Estocolmo, tempos depois da morte de seu marido, foi procurada por Croon, um joalheiro, a respeito de uma dívida do extinto com ele. A viúva não podia acreditar que seu marido, um homem de hábitos conservadores, pudesse ter deixado alguma dívida por saldar. Mas, por mais que procurasse, não conseguiu encontrar o recibo correspondente. Como a quantia era bem alta, ela decidiu convidar Swedenborg à sua casa. Depois de pedir-lhe desculpas por importuná-lo, pediu-lhe que, se realmente possuísse poderes paranormais, como se dizia, talvez pudesse perguntar ao seu marido onde tinha guardado o tal recibo. Swedenborg acedeu, prontamente, ao pedido. Daí a três dias, Swedenborg voltou à casa da senhora Marteville e, em tom calmo e pausado, contou-lhe que havia conversado com seu marido e este lhe dissera que a dívida em causa tinha sido paga, uns sete meses antes de sua morte e o recibo estava guardado num compartimento de sua escrivaninha. A viúva retrucou que a escrivaninha tinha sido totalmente revistada e o recibo não fora encontrado entre os documentos. Swedenborg, então, lhe disse que, ao se abrir a gaveta esquerda da escrivaninha até o fim, um fundo falso revelaria um compartimento secreto onde estavam guardados seus papéis pessoais e o tal recibo. Após ouvir atentamente as instruções de Swedenborg, a viúva e alguns dos presentes rumaram para a sala onde estava a escrivaninha. Lá chegando, abriram-na, conforme as instruções de Swedenborg e lá estavam os documentos pessoais do extinto e o recibo em questão.

"O interesse de Kant por esses casos surgiu através de sua amizade com a senhora von Knobloch, que pediu sua opinião a respeito da vidência de Swedenborg. Para atender o pedido da amiga, Kant procedeu a diversas investigações sobre as ocorrências vivenciadas por Swedenborg. Os resultados desse inquérito estão relatados na carta supramencionada. O original dessa carta está reproduzido no livro Life of Kant, de autoria de Borowsky, publicado em Konigsberg, em 1804, e, em sua versão inglesa, aparece às páginas 625/636 do segundo volume do livro Documents, de autoria do Dr. R. L. Tafel.

"Embora confirmasse cabalmente todas essas histórias, Kant se resguardava das insinuações de ingenuidade, dizendo:

"Ninguém poderá acusar-me de ter tendência a devaneios ou crendices infundadas ou de excessiva credulidade. E, embora de longa data tivesse conhecimento de fatos ligados a aparições e visões do mundo dos espíritos, sempre achei que era mais lógico e racional negar-lhes autenticidade. Mantive essa postura até tomar conhecimento dos casos vivenciados por Swedenborg. Tomei conhecimento desses fatos, através do relato de um oficial dinamarquês, amigo meu, que costumava comparecer assiduamente às minhas conferências. Ele me contou sobre uma carta escrita pelo embaixador da Áustria em Estocolmo, Barão de Lutzow, ao seu colega, Dirtrichstein, embaixador da Áustria em Copenhague. Na carta, o Barão de Lutzow contava que presenciara, na companhia do embaixador da Holanda em Estocolmo, o episódio envolvendo sua Majestade, a rainha Ulrica da Suécia. Esse testemunho convenceu-me, de vez, a investigar pessoalmente todos os fatos vivenciados por Swedenborg. Afinal de contas, não me parecia possível que um embaixador transmitisse a um colega informações infundadas sobre a Rainha da Corte junto a qual estava acreditado e, ainda por cima, desse testemunho inequívoco de sua veracidade. E, então, despido de todos os preconceitos sobre aparições e visões do outro mundo, decidi informar-me sobre todos os detalhes desses casos.

"Incontinente, escrevi ao meu amigo, oficial dinamarquês, e lhe inquiri, novamente, sobre o episódio da carta do Barão de Lutzow. Respondeu-me que se tinha avistado novamente com o Conde Dirtrichstein, que lhe confirmou que o caso da rainha Ulrica tinha acontecido exatamente como era do conhecimento público, aduzindo que o Professor Schlegel também declarara a ele que a veracidade do caso não poderia ser posta em dúvida.

"Como todos esses testemunhos ainda não fossem suficientes para saciar sua curiosidade, Kant incumbiu um amigo, inglês, que estava de partida para Estocolmo, de fazer novas investigações sobre Swedenborg. Antes mesmo de conseguir se entrevistar com Swedenborg, poucos dias após sua chegada a Estocolmo, o amigo lhe escreveu a seguinte nota: "As pessoas mais respeitáveis de Estocolmo me asseguram que o episódio envolvendo Swedenborg e a rainha Ulrica aconteceu exatamente como fora amplamente divulgado". Após se tornar amigo de Swedenborg, a quem visitava freqüentemente, o tom de suas cartas passou de uma certa incredulidade a um indisfarçável espanto diante dos fatos. "Swedenborg é um homem generoso, razoável e muito educado; é, também, homem muito culto. Ele me revelou que Deus lhe tinha dado o extraordinário poder de se comunicar com os espíritos, a qualquer tempo. Como prova disso, citou os casos mais conhecidos". Depois de muitas investigações sobre Swedenborg, Kant se referiu aos episódios do incêndio em Estocolmo e ao caso do recibo de Madame Marteville, assim: "Quem poderia, em sã consciência, duvidar da veracidade desses fatos?" E, invocando o testemunho de seu amigo, que fora por ele incumbido de investigar todos esses episódios em Estocolmo e Gotemburgo e das inúmeras testemunhas ainda vivas, Kant concluiu que as três histórias acima pormenorizadas não podiam ter sua autenticidade refutada. Mas, além desses casos mais difundidos, há inúmeros outros episódios igualmente interessantes e dignos de serem incluídos nesta biografia. Um dos mais notáveis é o de John Wesley, que está reproduzido, integralmente em carta do Sr. John Isaac Hawkins, engenheiro e inventor dos mais conhecidos, ao Reverendo Samuel Noble, datada de 6 de fevereiro de 1826, transcrita parcialmente abaixo.

"Em resposta à sua carta sobre o caso Wesley, posso afirmar-lhe que, em diversas ocasiões, por volta de 1787 ou 1788, ouvi o Reverendo Samuel Smith, um dos colaboradores do Reverendo Wesley, contar que estava trabalhando com o referido Reverendo na organização de sua cruzada anual, quando este recebeu uma carta que o deixou atônito. Refeito do susto, o Reverendo leu aos presentes a carta escrita mais ou menos nos seguintes termos:

"Great Bath Street, Cold Bath Fields, Fevereiro [?] de 1772.

"Prezado Sr. , fui informado, no mundo dos espíritos, que o senhor desejava ardentemente conversar comigo. Terei prazer de receber sua visita. Sou, de Vossa Senhoria, humilde servidor. 

"(as.) Emanuel Swedenborg.

"O Sr. Wesley confessou aos presentes que realmente estava desejoso de conhecer Swedenborg e conversar com ele, mas que nunca revelara esse desejo a ninguém. Respondendo a Swedenborg, o Reverendo Wesley disse-lhe que estava em véspera de iniciar uma viagem de seis meses e que voltaria a entrar em contato com ele assim que retornasse a Londres.

"O Sr. Smith disse-me, então, que soube que Swedenborg respondeu à carta do Reverendo Wesley, dizendo-lhe que a visita seria impossível, pois então, ele, Swedenborg, já teria entrado no mundo dos espíritos, a 29 do mês seguinte, para nunca mais voltar.

"O Dr. Tafel, em seu livro Documents Concerning Swedenborg apresenta testemunhos irrefutáveis sobre a veracidade desse caso".

(Do livro: Swedenborg, Vida e Ensinamentos, George L. Trobridge, S.R.N.J, Rio, 1999)

Eventos como esses eram comuns na vida de Swedenborg e serviam para espalhar sua fama. Mas ele não se importava com a notoriedade. De fato, achava que um excessivo interesse com relação às faculdades de que fora dotado poderia desviar o foco de atenção da finalidade real de seus Escritos.

Escolhido para descrever a natureza do espírito, Swedenborg foi levado pessoalmente a ter experiências tão inusitadas e diversas, que até hoje o homem comum sequer tem noção de que existem. Da obra acima citada, "O Céu e o Inferno", tiraremos alguns exemplos:

1º)- o estado constante em que viveu, por 28 anos, numa experiência única até então e, ao que se sabe, até hoje, de se manter consciente nos dois planos da existência ao mesmo tempo em pleno estado de vigília, no qual ouvia homens e espíritos e falava com uns e outros;

b)- a experiência de ser conduzido quanto ao espírito, dentro do plano natural, para outros lugares e cidades, como a experiência testificada do incêndio de Estocolmo;

c)- de ser conduzido quanto ao espírito, ainda dentro do plano natural, para outros planetas habitados no universo e falar com os habitantes dali;

d)- de ser conduzido quanto ao espírito para fora do plano natural, às dimensões espirituais superiores e inferiores, chamadas céus e infernos;

e)- e, ainda, a experiência rara de ser fisicamente transportado para outro lugar sem que se tenha noção disso, pois a consciência fica no plano espiritual. Este estado foi experimentado por alguns dos profetas bíblicos, do qual diziam terem "sido levados pelo Espírito" para outro lugar. Sobre isto, Swedenborg escreveu: "enquanto dura esse estado, não se reflete de modo algum sobre o caminho, mesmo quando ele fosse de muitas milhas; não se reflete também sobre o tempo, mesmo quando ele fosse de muitas horas ou de muitos dias; e não se experimenta fadiga alguma; então é-se também conduzido, por caminhos que nós mesmos ignoramos, até ao lugar designado, sem enganos" (CI 441).

f)- e, finalmente, a chamada experiência de quase morte em que foi deliberadamente introduzido a fim de descrevê-la, retendo, no entanto, plena consciência. Dedicou um capítulo inteiro de "O Céu e o Inferno" para descrever as etapas do processo porque passa o espírito humano na morte e em sua ressurreição ou entrada na vida eterna (CI 445-452).

Ao descrever todas essas experiências e expor os ensinamentos daí alcançados, Swedenborg se porta de forma categórica; seu estilo é positivo e direto, sem explicações vagas ou incertezas. Não deixa dúvidas quanto ao caráter da Pessoa Divina, a quem chama o Divino Humano, o Senhor Deus Jesus Cristo. Usa a terminologia mais simples possível para descrever as coisas espirituais. Por exemplo, chama de anjos os seres espirituais elevados, e espíritos demoníacos aqueles que atentam contra o bem-estar do ser humano. Chama de céus as regiões espirituais onde o homem se realiza na prestação de usos, que é a felicidade mesma, e infernos onde o espírito se inflama em cobiças e se vê frustrado por não mais conseguir realizá-las. Se essa terminologia é emprestada da religião, é porque a abertura dos planos espirituais só se tornou possível mediante a instrução que a religião recebem como revelação.

Falando das experiências de Swedenborg, não seria justo deixar de mencionar que, quando as descreveu em suas numerosas obras, o objetivo que ele que elas não fossem vistas como fins em si mesmas, mas como meios de se alcançar, por meio delas, a sabedoria de um modo de vida mais humano e, assim, mais celeste. Como ele repetiu centenas de vezes em todos os seus trabalhos, tais coisas foram descritas para que, como disse no prefácio de seu "Céu e Inferno" "a ignorância possa ser assim esclarecida e que a incredulidade possa ser dissipada. Se hoje é concedida uma tal revelação imediata, é porque ela é o que é significado pela Vinda do Senhor" (CI 1).

Em outras palavras: as revelações em sua obra, que para nós parecem espantosas, para ele apenas conduziam a um fim: a abertura para a raça humana de uma fonte de conhecimento das verdades acerca da existência espiritual. Essas verdades, que tinham sido conhecidas pelos antiqüíssimos da Idade de Ouro e de Prata, se perderam depois pelos enganos e pelo mero materialismo. Mas agora, como a raça humana chegava a um certo amadurecimento intelectual, fazia-se necessário abrir outras portas, de acordo com o que o Senhor Jesus havia dito aos Seus primeiros discípulos: "Ainda tenho muitas coisas que vos dizer, mas vós não podeis suportá-las agora". Chegava o tempo em que Ele iria podia voltar novamente, agora como o Espírito da Verdade, revelar-Se no sentido espiritual das Escrituras e guiar-nos ao conhecimento de toda verdade, verdades para uma nova era da raça humana, um novo conceito de vida e de amor ao próximo.

Os ensinamentos de Swedenborg dão assim, novos conceitos acerca de Deus, da existência humana, da vida do espírito, e tudo mais. Por se haver adiantado e distanciado em muito do pensamento religioso de seu tempo (e, na verdade, ao pensamento de hoje), as obras de Swedenborg sofreram - e ainda sofrem - censura e discriminação, de um lado, por parte dos pseudo-cientistas, que, por não entenderem, não admitem a hipótese da harmonia ou fusão do conhecimento científico com o da revelação divina de um Deus infinitamente Humano, sábio e amoroso. Por outro lado, da parte dos líderes tradicionais cristãos, por terem receio da abertura dos mistérios da fé, talvez porque sabem que assim perderão o pretenso monopólio das verdades espirituais.

A teologia exposta por Swedenborg juntamente com o relato das experiências tão vivas no plano espiritual desconcertam muitos religiosos, os que, teoricamente, mais deviam saber sobre o espírito e a vida após a morte, pois que estas coisas foram dadas muitos desses indivíduos, sentindo-se ameaçados, reajam contra essa nova abertura da revelação e, especialmente, contra o autor, fazendo circular boatos difamadores a respeito de sua sanidade. Em decorrência disso, também a sua reputação anterior de grande cientista e filósofo ficou comprometida.

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