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Doutrinas Celestes

Vida e Obra de
Emanuel Swedenborg
(1688-1772)

Caráter

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Swedenborg em 1734

Praticidade e obstinação

  • O raciocínio de Swedenborg era sempre prático, seja como cientista, seja como teólogo; não entendia como alguém podia contentar-se apenas com a teoria. Certa época, por exemplo, seu cunhado, Benzelius, estava lutando para instalar um observatório em Uppsala, com o apoio entusiasmado de Swedenborg. Outras pessoas, porém, não mostravam o mesmo entusiasmo pelo projeto. Sobre isso, Swedenborg então escreveu: "Admira-me a atitude de seus amigos matemáticos, que não demonstram vontade de colaborar na construção de um observatório astronômico. É uma fatalidade que matemáticos permaneçam sempre na teoria. Sempre pensei que o mundo sairia ganhando se a cada dez matemáticos se juntasse um homem prático que lhes mostrasse a realidade. Nesse caso, esse homem seria mais conhecido e útil que todos os outros juntos".

 

Integridade

  • Swedenborg e o Assessor Christopher Polhem foram sempre muito amigos. Suas relações eram tão boas, que, por recomendação do rei Carlos XII, Polhem prometeu ao jovem Swedenborg a mão de sua filha mais velha. Numa de suas cartas ao cunhado Benzelius, Swedenborg dá a entender que chegou a ficar noivo dela; mas ela veio a se casar com outro. Ela, porém, tinha uma irmã mais nova, por quem o jovem Swedenborg se afeiçoou e que, mais tarde, lhe foi formalmente prometida por Polhem. A moça, ao que parece, nunca fora consultada, tendo sido tudo arranjado à sua revelia; parece, entretanto, que ela não gostava do noivo. Ao se dar conta disso, Swedenborg prontamente renunciou à promessa, demonstrando seu alto espírito de honradez e sensibilidade. 

  • O livro de Memórias, de Robsahm, registra que, quando conheceu Swedenborg, Emerentia (este era o nome da jovem) tinha treze para quatorze anos, e, portanto não podia ser obrigada a noivar. Diante disso, seu pai, que gostava de Swedenborg, deu-lhe uma escritura pela qual lhe outorgava o direito de esposá-la em data futura. Era sua esperança que, com a idade, ela viesse a aceitar o noivo designado. A noiva foi obrigada a assinar a escritura. No entanto, como ela se queixasse desse penhor quase todos os dias, seu irmão, Chamberlain Gabriel Polhem, aborreceu-se tanto com o negócio que resolveu furtar a escritura de Swedenborg. Este, que se comprazia com a esperança do casamento, sentiu imensamente o choque. Sua dor foi tão flagrante que o pai da noiva insistiu em saber o motivo. E imediatamente ofereceu usar sua autoridade para fazer restabelecer a escritura. Mas, ao ver o sofrimento da moça, Swedenborg decidiu renunciar à promessa.

Humildade após o orgulho

  • Quando era jovem, o orgulho intelectual parece ter sido uma de suas faltas mais flagrantes. Mais tarde, porém, quando começou o período de pesquisas filosóficas e psicológicas, já apresentava uma mudança que viria a ser notável no fim de sua vida, pois, por aquela época, escreveu:

  • "Vi uma livraria e, imediatamente me veio a idéia de que minha obra teria maior repercussão do que a de outros; entretanto, logo me dei conta de meu erro. Porque um serve ao outro, e o Senhor tem muitos modos de preparar um homem, de sorte que todo e qualquer livro deve ter seus próprios méritos, como meio próximo ou remoto, de acordo com a condição racional de cada homem. Contudo, a arrogância se faz sempre presente em nós. Que Deus a controle, pois Ele tem esse poder em Suas mãos!"

  • Em seu Diário, noite do dia 7 para o dia 8 de abril de 1743, escreve: "Descobri que eu era menos merecedor do que os outros e o maior dos pecadores; por esse motivo, nosso Senhor permitiu que meu pensamento penetrasse em certas coisas mais profundamente do que os outros; descobri, também, que a fonte desses pecados está nos pensamentos que trago dentro de mim; assim, descobri que meus pecados têm uma origem muito mais profunda que a dos outros; e, portanto, descobri minha inutilidade e que meus pecados eram maiores do que os dos outros homens". Da noite do dia 8 para o dia 9 de abril, lemos: "Roguei a misericórdia de Cristo para tanto orgulho e arrogância de que tanto me lisonjeava". E no registro da noite do dia 13 para o dia 14 de abril, confessa: "Estou sempre inclinado a me gabar por meu trabalho". 

  • Alguns meses depois (na noite de 6 para 7 de outubro) escreveu: "...Depois, refleti sobre esses pensamentos e recebi a instrução de que o amor por qualquer objeto, como, por exemplo, pelo trabalho com que atualmente me ocupo, sempre que esse objeto for amado por si só e não como um veículo do único amor, o amor a Deus e a Jesus Cristo, é um amor espúrio".

  • Em outra ocasião, Swedenborg estava assistindo a uma conferência no Colégio Real de Medicina de Londres, quando, "levado pelo impulso", diz, "cometi a leviandade de pensar que meu nome deveria estar entre os dos eminentes anatomistas citados; porém, fiquei satisfeito ao verificar que isso não aconteceu".

  • A vaidade intelectual não era a única forma de tentação a que Swedenborg estava sujeito. As profundezas de sua alma estavam tão assediadas por esses pensamentos, que se sentia "em contínuo estado pecaminoso". No registro da noite de 11 para 12 de abril, escreve: "Notei, em minhas reflexões, que todos os meus pensamentos, mesmo os que consideramos puros, continham uma boa dose de pecado e impurezas... o mesmo acontecia com todos os desejos que fluíam do corpo para a mente; esses emanavam de raízes muito profundas. Embora um pensamento possa parecer puro, é fato que uma pessoa pode pensar de determinada maneira levada por timidez, hipocrisia e muitas outras causas, como podemos determinar através da exploração de seus pensamentos; sob esse aspecto, o homem é incapaz de se livrar do pecado, pois não há um só pensamento que não esteja ligado com a sujeira e a impureza. Com efeito, já observei que nossa vontade integral, na qual nascemos e que é governada pelo corpo e introduz pensamentos, é antagônica ao espírito; portanto, estamos mortos para o bem e sempre propensos a praticar o mal".

Afabilidade

  • Seria impossível imaginar um homem mais simples e menos mundano que Swedenborg. Embora fosse de muitas posses, não as gastava consigo mesmo, e se contentava com as coisas mais básicas da vida. Confiava tanto nas pessoas, que mandava seu senhorio apanhar numa gaveta o dinheiro de que precisasse. Em sua morte, não deixou testamento e tinha poucas posses.

  • Nos últimos anos de vida costumava viajar sozinho. Disse a seu amigo Cuno que não precisava de companheiro, porque seu anjo sempre o acompanhava. Onde quer que fosse, Swedenborg era muito querido e as pessoas achavam que ele lhes trazia boa sorte. Até os capitães de navio diziam que as viagens transcorriam sempre melhor quando ele estava a bordo. Um comandante chegou a declarar: "Se Swedenborg quiser, terá sempre passagem grátis comigo, porque em toda minha experiência no mar, nunca velejei melhor". O Sr. Shearsmith, com quem Swedenborg se hospedava em Londres, observou que "todas as coisas prosperavam em sua vida enquanto Swedenborg estava morando em sua casa". E a esposa, Sra. Shearsmith, disse ao Sr. Peckitt, que "Swedenborg era uma bênção em sua casa, pois eles tinham harmonia e bons negócios enquanto estava com eles".

 Microscópio que pertenceu a Swedenborg

Labor diligente 

  • O abade Pernety diz que Swedenborg "era um ser infatigável que trabalhava dia e noite". E Cuno escreveu, assim, sobre o nosso biografado: "Ele trabalha com disposição impressionante e sobre-humana na elaboração de seu novo livro. Dezesseis laudas, em tipo menor do que o usado em seus últimos livros, já foram consumidas. É, realmente, fantástico, se considerarmos que cada lauda impressa corresponde a quatro manuscritas. Mantém uma média de duas laudas impressas por semana... E ele mesmo faz as revisões e correções". Cuno fez esse depoimento, a 26 de janeiro de 1771, quando Swedenborg estava às vésperas de completar seu octogésimo terceiro ano de vida! O conselheiro Sandels comentou, a este respeito, o seguinte: "Não posso deixar de admirar essa sua obstinação pelo trabalho". E, quando lembramos que, além dos quase trinta volumes e muitas obras menores que deixou impressos, há uma grande quantidade de manuscritos, talvez mais do que as obras que publicou, ficamos impressionados também e podemos bem entender a observação de seu cunhado, Bispo Benzelius: "Ele foi muito parcimonioso com seu tempo".

 

Sobriedade

  • Também temos muitos relatos sobre os hábitos pessoais de Swedenborg. Alimentava-se e bebia com moderação, raramente comia carne, e nunca tomava mais de dois ou três cálices de vinho e, assim mesmo, em reuniões sociais. O Sr. Shearsmith observa: "Sua dieta excluía quase que inteiramente a carne; pela manhã só tomava leite e café, fazendo o mesmo à tarde com acompanhamento de bolos, e não jantava. Gostava de muito açúcar no café e no leite, bem como bolos açucarados, dizendo que o açúcar o nutria. Sua moderação com a bebida era tanta que nunca bebia cerveja ou vinho, ou outra bebida alcoólica, enquanto estava em minha casa. Levantava-se, geralmente, às cinco ou seis horas da manhã e ficava estudando ou escrevendo até às oito, quando tomava meio litro de leite; em seguida, se não saísse, continuava escrevendo ou lendo até às 3 ou 4 da tarde, quando bebia outro meio litro de leite ou tomava grande quantidade de café; freqüentemente, ia se deitar às 6 ou 7 da noite, sem nunca jantar". "Quando não tinha convite para comer fora", diz Robsahm, "seu almoço consistia somente de biscoitos embebidos no leite".

 

Aparência e traços pessoais

  • Cuno disse que a pintura gravada por Bernigroth, "é a imagem perfeita de Swedenborg, particularmente os olhos, que permaneceram vivos, mesmo na velhice". Os olhos eram, indiscutivelmente, seu traço fisionômico mais marcante. Seu olhar tinha um forte magnetismo, como descreve a mesma testemunha: "Notei várias vezes como indivíduos sarcásticos, que tinham vindo às reuniões aonde eu o tinha levado, e cujo propósito era caçoar do velho Senhor, esquecerem-se da galhofa e de toda a sua zombaria, e pararem, estáticos, para ouvir as coisas singulares que falava sobre o mundo espiritual, como uma criança de coração aberto, sem reservas e com plena confiança. Era como se seus olhos tivessem o poder de impor silêncio nos ouvintes".

  • Quando se despediu de Cuno pela derradeira vez, em 1769, a conversa girou sobre a possibilidade de os dois amigos nunca mais se encontrarem. E Swedenborg falou com entusiasmo sobre a grande mudança que, sabia, estava para lhe acontecer. "E enquanto falava", disse Cuno, "tinha o olhar tão alegre e inocente, como eu nunca tinha visto antes. E não o interrompi". Outros testemunhos falam de sua aparência seráfica e da serenidade de seu semblante. O Reverendo Thomas Hartley, em carta ao Reverendo John Clowes, comenta: "Seu semblante tranqüilo e complacente transmite imensa paz interior". E, quando estava em contato com o mundo espiritual seu semblante resplandecia radioso, magnetizando os circunstantes. Porém, sua fisionomia era, ordinariamente. plácida e complacente.

  • A maioria de seus contemporâneos descreve Swedenborg como de estatura alta, embora, talvez, fosse de altura mediana. Alguns, entretanto, o descrevem como sendo de baixa estatura. O Sr. Theodore Compton, aos noventa e um anos de idade, escreveu a seguinte nota sobre Swedenborg: "Um velho diretor de escola primária, a quem conheci quando criança, certa vez me contou que costumava ver Swedenborg em Clerkewell: um homenzinho, amigo das crianças, distribuindo balas de gengibre às que encontrava pela rua".

  • Sobre sua velhice, o Sr. Shearsmith, seu senhorio, escreveu: "Antigamente, deve ter sido um homem corpulento, mas a vida sedentária e intensa dedicação aos estudos deu-lhe uma compleição franzina e pálida nos últimos anos de vida". O Reverendo Nicholas Collin, reitor da Igreja Sueca de Filadélfia, que visitou Swedenborg em 1766, descreve assim sua aparência física: "Sendo muito idoso quando o vi, era magro e de tez pálida, mas conservava ainda algo de agradável em feição e de dignidade em seu porte ereto". Carl C. Gjorwell, bibliotecário da Biblioteca Real de Estocolmo, que esteve com Swedenborg em 1764, descreve assim sua compleição física: "Apesar de ser um homem idoso e de cabelos grisalhos, seus passos são firmes e ágeis, gosta de conversar e fala com jovialidade. Sua tez pálida e compleição magra mas é sorridente e cheio de alegria".

  • Essa agilidade de Swedenborg, em plena idade provecta, impressionava a todos que com ele conviviam. Cuno escreveu: "A respeito da aparência externa do Sr. Swedenborg, ele é, levando em conta sua idade, de saúde admiravelmente perfeita. É de estatura mediana e, embora seja vinte anos mais velho que eu, não teria coragem de desafiá-lo para uma corrida, pois é tão ligeiro nas pernas como um jovem". E ligeiro era também nas decisões. Na primeira vez em que foi convidado para jantar em Knauw, Cuno, que lhe levou o convite pessoalmente, disse: "O velho cavalheiro aceitou e já estava preparado para ir".

  • "E, na última vez em que o vi, em casa do Sr. Odon, disse-me que em sua boca estava surgindo uma nova dentição. E quem já ouviu falar da nova dentição num homem de oitenta e cinco anos de idade?"

  • Durante sua última viagem ao exterior, em 1770, o navio de Swedenborg ficou retido em Elsinore, devido aos ventos contrários. Lá residia um de seus primeiros discípulos, o general Christian Tuxen. Este foi a bordo do navio oferecer a Swedenborg a hospitalidade de sua casa e o encontrou meio indisposto. Porém, assim que o general acabou de fazer o convite, Swedenborg imediatamente aceitou, "levantou-se, meteu-se no traje costumeiro e aprontou-se com a agilidade de um jovem de vinte anos".

  • Seu traje usual para visitas era um terno de veludo preto, de corte tradicional, polainas, espada e uma bengala dourada. Um de seus biógrafos suecos diz que, "seguindo o costume da época, usava uma peruca não muito longa. Sua indumentária incluía, ainda, um sobretudo de veludo azul-acinzentado, e meias longas e sapatos de fivela de ouro". Outro testemunho diz: "Seu traje de inverno incluía um belo sobretudo de pele de renas e, no verão, um terno formal; ambos pareciam bastante surrados, como cabe a um filósofo. Suas roupas eram modestas. Às vezes saía com um pé de sapato trocado ou uma camisa que não combinava com o resto da indumentária. Certa ocasião, Swedenborg compareceu a um jantar na casa do meu pai, usando em um dos sapatos fivela de prata e no outro uma fivela cravejada adornada com pedras preciosas, fato que provocou grande divertimento às meninas presentes, que aproveitaram a ocasião para caçoar do idoso cavalheiro".

Cortesia com as mulheres e polidez

  • Embora nunca tenha se casado, Swedenborg não era indiferente ao sexo oposto, como afirma seu amigo Sandels, "pois apreciava a companhia de uma mulher inteligente e fina como uma das fontes mais puras de deleite. Todavia, seus profundos estudos exigiam que houvesse em sua casa perfeito silêncio de dia e de noite. Por isso, preferiu permanecer só".

  • Cuno conta que, certa vez, Swedenborg conversava, ladeado por algumas senhoras. "Suas maneiras eram extremamente refinadas e galantes. Quando anunciaram que o jantar estava servido, ofereci o braço à anfitriã e imediatamente nosso jovem de oitenta e um pôs suas luvas e deu o braço à Mademoiselle Hoog, parecendo estar muito à vontade. Nosso idoso cavalheiro se sentou entre Madame Konauw e a mais velha das senhoritas Hoog, sendo ambas muito hábeis na conversação... Parecia desfrutar muito o prazer de ser tão atenciosamente servido pelas senhoras".

  • Cuno observou que "o Sr. Swedenborg transita com desenvoltura em toda parte, e sabe como lidar tão bem com os superiores quanto com os inferiores". "Ele não era apenas um homem erudito" diz Robsham, "mas era também um polido cavalheiro, pois um homem de tamanha erudição, que, por seus livros, suas viagens e seu conhecimento de línguas, adquiriu distinção tanto em casa quanto no exterior, não podia deixar de possuir maneiras adequadas e tudo o mais que, naqueles tempos tidos como sérios, faziam que um homem fosse honorável e aceito numa sociedade. E seu espírito jovial e simpático permaneceu inalterado até na velhice, embora, em certas ocasiões, sua fisionomia adquirisse traços incomuns, somente notados em homens de grande gênio".

Ternura com as crianças

  • Embora não tivesse crianças ao seu redor em casa, era muito amigo delas. Sendo, ele mesmo, de temperamento jovial e comunicativo, agradava-lhe a companhia dos inocentes e dos jovens. Uma senhora, em cuja casa Swedenborg se hospedava quando viajava a Amsterdam, disse a Cuno: "Meus filhos vão sentir muita falta dele, pois nunca chegava sem doces para eles. Os malandrinhos brincavam tanto com o velho senhor que preferiam a companhia dele à dos próprios pais". Como já foi dito, costumava levar balas nos bolsos, para distribuir à criançada que encontrava durante suas caminhadas.

  • O Sr. Hart, da Poppin’s Court, na Fleet Street, foi o tipógrafo de Swedenborg durante muitos anos e o recebia freqüentemente em sua casa. "Dava atenção à filhinha de Mr. Hart, que tinha uns três anos quando Swedenborg morreu. "O céu habita conosco quando somos crianças", escreveu Wordsworth; e Swedenborg expressara o mesmo pensamento vários anos antes. Sem dúvida alguma, os contatos de Swedenborg com os anjos lhe davam um espírito de criança. O Sr. Shearsmith referiu-se, assim, a essa particularidade de Swedenborg: "Ele parecia levar uma vida de criança; dava pouco valor ao dinheiro e pagava, sem regatear, o preço que as pessoas pediam pelas coisas que comprava".

  • Outra interessante história é contada por Anders Fryxel, um historiador sueco: "Minha avó, Sara Greta Askbom, casada com Anders Ekman, Conselheiro comercial e prefeito distrital, nasceu e se criou no bairro de Björngärdsgatan, onde seu pai vivera, não muito longe da casa de Swedenborg, com quem ele tinha relacionamento. Quando tinha apenas quinze ou dezesseis anos de idade, ela freqüentemente pedia ao "tio" Swedenborg que lhe mostrasse um espírito ou um anjo. Depois de muita insistência, Swedenborg afinal acedeu e a levou para um dos aposentos de hóspedes da casa. Lá, colocou-a diante de uma cortina que estava abaixada, e lhe disse: ‘Agora verás um anjo’. Então levantou a cortina e a jovem viu sua própria imagem refletida num espelho".

Busto de Swedenborg em Estocolmo, Suécia

Rua Swedenborg (Swedenborgsgatan) no centro de Estocolmo, Suécia

Desprendimento e honestidade  

  • Durante muito tempo, Swedenborg publicou seus trabalhos teológicos anonimamente, não auferindo nenhum benefício com sua venda. Seu editor londrino, John Lewis, estabelecido na Paternoster Row, escreveu a seguinte nota num anúncio do segundo volume da obra Arcanos Celestes: "Quero, de público, testemunhar que esse cavalheiro, com infatigável labor e pesares, gastou um ano inteiro preparando e escrevendo o primeiro volume dos Arcanos Celestes e pagou, pela sua impressão, duzentas libras, tendo adiantado outras duzentas para este segundo volume. E, tendo feito isto, deu ordens expressas para que todo o dinheiro fosse dado à obra de propagação do evangelho. Assim, está muito longe de desejar obter lucro deste seu labor, visto que não receberá de volta nem um níquel das quatrocentas libras que gastou. Por essa razão, a obra chega ao público a um custo extraordinariamente baixo".

  • De acordo com Cuno, o público nem sempre conseguia comprar as obras por esse custo "extraordinariamente baixo", mas a culpa não era do autor. "Ele tem publicado seus muitos escritos na Inglaterra e neste país (Holanda) às suas expensas somente, e nunca ganhou um centavo com sua venda. Todos esses escritos são impressos em papel caro e, no entanto, ele os dá de graça. Os livreiros a quem os dá para venda cobram por eles o que podem. De fato, vendem-no razoavelmente caro, segundo minha própria experiência, pois tive de pagar quatro florins por uma cópia de seu Apocalipse Revelado. O livreiro mesmo, porém, me disse que o autor nunca pede lhe contas nem a qualquer outro negociante".

  • Cumpre citar outro incidente relativo aos negócios de publicação, como testemunho da absoluta fidelidade de Swedenborg. Desejou publicar sua obra Verdadeira Religião Cristã em Paris, e submeteu-a à aprovação do Censor de imprensa. A permissão para publicação foi dada, com a condição de que a edição saísse como tendo sido publicada em Londres ou Amsterdam, como era de costume. Todavia, não era assim que Swedenborg agia, e, por isso tomou seu manuscrito e foi publicá-lo em Amsterdam com um editor honesto.

 

Sinceridade

  • Sinceridade e franqueza foram qualidades marcantes da personalidade de Swedenborg, como afirmaram muitos que o conheceram. A Sra. Hart, esposa de seu tipógrafo londrino, disse ao Sr. Provo que "Swedenborg era de uma natureza tal que nunca tentou impor suas idéias a ninguém; falava sempre a verdade sobre os assuntos mais insignificantes e nunca usaria de evasivas, ainda que sua vida estivesse em risco". Esse depoimento é corroborado por outros contemporâneos de Swedenborg.

  • O abade Pernety se expressou assim sobre o nosso biografado: "Swedenborg era muito gentil, mas também franco, e nunca traiu a verdade por temor de homens nem por qualquer outra razão".

  • Em carta escrita ao General Tuxen, datada de 21 de maio de 1773, o conde Höpken escreve: "O saudoso Swedenborg foi, certamente, um modelo de sinceridade, virtude e piedade, e, ao mesmo tempo, na minha opinião, o homem mais culto deste reino". E, em outra passagem, se refere a Swedenborg como "aquele honesto ancião".

  • Referindo-se à nomeação de Swedenborg para o Conselho de Mineração, o conselheiro Sandels salientou que, apesar de muito jovem, Swedenborg "já era muito conhecido em seu próprio país e no exterior, por suas aquisições em literatura geral e em ciências, e por sua conduta digna". Sandels referiu-se, ainda, à "sua disposição genuinamente boa" e declarou que "Swedenborg deveria servir de modelo de virtude e de reverência ao Criador, porque nele não havia procedimento dúbio". E continua: "Não se viu nele nenhum sinal de arrogância, grosseria ou intenção de enganar".

Testemunho cristão e religiosidade

  • Por alguns anos, Swedenborg raramente ia à igreja, o que provocou severas críticas de seus inimigos e algumas interpelações de amigos mais íntimos. Robsahm explica que "Swedenborg não podia continuar aceitando como verdade pregações tão diferentes de suas revelações. Além disso, já enfrentava graves problemas de saúde". O próprio Swedenborg confidenciou ao Reverendo Ferelius que "já não encontrava paz na igreja, por causa dos anjos que discordavam do que o ministro dizia, especialmente quando o assunto do ministro era as três pessoas da Divindade, o que é o mesmo que três deuses".

  • Um sabatista comentou com Shearsmith que Swedenborg não podia ser considerado um bom cristão, pois não guardava o "Sabbath". Shearsmith respondeu-lhe que, "para um homem bom como Swedenborg, todos os dias de sua vida eram "sabbath".

  • Em outra ocasião, um criado e sua esposa, pessoas simples, que trabalhavam para Swedenborg há muitos anos, vieram dizer-lhe que não poderiam mais trabalhar ali, pois o pastor lhes havia dito que Swedenborg não era cristão. Ele respondeu que, tendo trabalhado para ele por tantos anos, se eles se lembrassem de algum dia ele ter praticado algum ato não cristão, estariam livres para partir. O casal ficou.

Túmulo de Swedenborg na nave da Catedral de Upsala, Suécia

 

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