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Swedenborg em 1734 |
Praticidade
e obstinação
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O raciocínio de Swedenborg
era sempre prático, seja como cientista, seja como teólogo; não
entendia como alguém podia contentar-se apenas com a teoria. Certa época, por exemplo, seu cunhado, Benzelius, estava lutando para instalar um
observatório em Uppsala, com o apoio entusiasmado de Swedenborg.
Outras pessoas, porém, não mostravam o mesmo entusiasmo pelo projeto. Sobre
isso, Swedenborg então escreveu: "Admira-me a atitude de seus amigos matemáticos, que
não demonstram vontade de colaborar na construção de um
observatório astronômico. É uma fatalidade que matemáticos
permaneçam sempre na teoria. Sempre pensei que o mundo sairia
ganhando se a cada dez matemáticos se juntasse um homem prático que
lhes mostrasse a realidade. Nesse caso, esse homem seria mais
conhecido e útil que todos os outros juntos".
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Integridade
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Swedenborg
e o Assessor Christopher Polhem foram sempre muito amigos. Suas
relações eram tão boas, que, por
recomendação do rei Carlos XII, Polhem prometeu ao jovem Swedenborg a mão de sua filha mais
velha. Numa de suas cartas ao cunhado Benzelius, Swedenborg dá a
entender que chegou a ficar noivo dela; mas ela veio a se casar com
outro. Ela, porém, tinha uma irmã mais nova, por quem o jovem Swedenborg se
afeiçoou e que, mais tarde, lhe foi formalmente prometida por Polhem. A moça,
ao que parece, nunca fora consultada, tendo sido tudo arranjado à sua
revelia; parece, entretanto, que ela não gostava do noivo. Ao se dar
conta disso, Swedenborg prontamente renunciou à promessa,
demonstrando seu alto espírito de honradez e sensibilidade.
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O livro
de Memórias, de Robsahm, registra que, quando conheceu
Swedenborg, Emerentia (este era o nome da jovem) tinha treze para quatorze
anos, e, portanto não podia ser obrigada a noivar. Diante disso, seu
pai, que gostava de Swedenborg, deu-lhe uma escritura pela qual lhe
outorgava o direito de esposá-la em data futura. Era sua esperança
que, com a idade, ela viesse a aceitar o noivo designado. A noiva foi
obrigada a assinar a escritura. No entanto, como ela se queixasse
desse penhor quase todos os dias, seu irmão, Chamberlain Gabriel
Polhem, aborreceu-se tanto com o negócio que resolveu furtar a
escritura de Swedenborg. Este, que se comprazia com a esperança do
casamento, sentiu imensamente o choque. Sua dor foi tão flagrante que o
pai da noiva insistiu em saber o motivo. E imediatamente ofereceu usar
sua autoridade para fazer restabelecer a escritura. Mas, ao ver o
sofrimento da moça, Swedenborg decidiu renunciar à promessa.
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Humildade
após o orgulho
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Quando
era jovem, o orgulho intelectual parece ter sido uma de suas
faltas mais flagrantes. Mais tarde, porém, quando começou o período
de pesquisas filosóficas e psicológicas, já apresentava uma
mudança que viria a ser notável no fim de sua vida, pois, por aquela
época, escreveu: "Vi uma
livraria e, imediatamente me veio a idéia de que minha obra teria
maior repercussão do que a de outros; entretanto, logo me dei conta
de meu erro. Porque um serve ao outro, e o Senhor tem muitos modos de
preparar um homem, de sorte que todo e qualquer livro deve ter seus
próprios méritos, como meio próximo ou remoto, de acordo com a
condição racional de cada homem. Contudo, a arrogância se faz
sempre presente em nós. Que Deus a controle, pois Ele tem esse poder
em Suas mãos!"
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Em
seu Diário, noite do dia 7 para
o dia 8 de abril de 1743, escreve: "Descobri que eu era menos merecedor do que os outros e o
maior dos pecadores; por esse motivo, nosso Senhor permitiu que meu
pensamento penetrasse em certas coisas mais profundamente do que os
outros; descobri, também, que a fonte desses pecados está nos
pensamentos que trago dentro de mim; assim, descobri que meus pecados
têm uma origem muito mais profunda que a dos outros; e, portanto,
descobri minha inutilidade e que meus pecados eram maiores do que os
dos outros homens". Da noite do dia 8 para o dia 9 de abril, lemos:
"Roguei a misericórdia de Cristo para tanto orgulho e arrogância de
que tanto me lisonjeava". E no registro da noite do dia 13 para o dia 14 de
abril, confessa: "Estou sempre inclinado a me gabar por meu trabalho".
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Alguns meses depois (na noite de 6 para 7 de outubro) escreveu: "...Depois, refleti sobre esses pensamentos e recebi a
instrução de que o amor por qualquer objeto, como, por exemplo, pelo
trabalho com que atualmente me ocupo, sempre que esse objeto for amado
por si só e não como um veículo do único amor, o amor a Deus e a
Jesus Cristo, é um amor espúrio".
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Em outra ocasião, Swedenborg estava assistindo a
uma conferência no Colégio Real de Medicina de Londres, quando,
"levado pelo impulso", diz, "cometi a leviandade de
pensar que meu nome deveria estar entre os dos eminentes anatomistas
citados; porém, fiquei satisfeito ao verificar que isso não
aconteceu".
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A vaidade intelectual não era a única forma de
tentação a que Swedenborg estava sujeito. As profundezas de sua alma
estavam tão assediadas por esses pensamentos, que se sentia "em
contínuo estado pecaminoso". No registro da noite de 11 para 12 de
abril, escreve: "Notei, em minhas reflexões, que todos os meus
pensamentos, mesmo os que consideramos puros, continham uma boa dose de
pecado e impurezas... o mesmo acontecia com todos os desejos que fluíam
do corpo para a mente; esses emanavam de raízes muito profundas. Embora
um pensamento possa parecer puro, é fato que uma pessoa pode pensar de
determinada maneira levada por timidez, hipocrisia e muitas outras
causas, como podemos determinar através da exploração de seus
pensamentos; sob esse aspecto, o homem é incapaz de se livrar do
pecado, pois não há um só pensamento que não esteja ligado com a
sujeira e a impureza. Com efeito, já observei que nossa vontade
integral, na qual nascemos e que é governada pelo corpo e introduz
pensamentos, é antagônica ao espírito; portanto, estamos mortos para
o bem e sempre propensos a praticar o mal".
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Afabilidade
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Seria impossível imaginar um homem mais simples e
menos mundano que Swedenborg. Embora fosse de muitas posses, não as
gastava consigo mesmo, e se contentava com as coisas mais básicas da
vida. Confiava tanto nas pessoas, que mandava seu senhorio apanhar
numa gaveta o dinheiro de que precisasse. Em sua morte, não deixou
testamento e tinha poucas posses.
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Nos últimos anos de vida costumava viajar
sozinho. Disse a seu amigo Cuno que não precisava de companheiro, porque seu anjo sempre
o acompanhava. Onde quer que fosse, Swedenborg era muito querido e as
pessoas achavam que ele lhes trazia boa sorte. Até os capitães de navio
diziam que as viagens transcorriam sempre melhor quando ele estava a
bordo. Um comandante chegou a declarar: "Se Swedenborg quiser,
terá sempre passagem grátis comigo, porque em toda minha
experiência no mar, nunca velejei melhor". O Sr. Shearsmith, com
quem Swedenborg se hospedava em Londres, observou que "todas as
coisas prosperavam em sua vida enquanto Swedenborg estava morando em
sua casa". E a esposa, Sra. Shearsmith, disse ao Sr. Peckitt, que
"Swedenborg era uma bênção em sua casa, pois eles tinham
harmonia e bons negócios enquanto estava com eles".
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Microscópio que
pertenceu a Swedenborg
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Labor
diligente
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O abade Pernety diz que Swedenborg "era um ser
infatigável que trabalhava dia e noite". E Cuno escreveu, assim,
sobre o nosso biografado: "Ele trabalha com disposição
impressionante e sobre-humana na elaboração de seu novo livro.
Dezesseis laudas, em tipo menor do que o usado em seus últimos
livros, já foram consumidas. É, realmente, fantástico, se
considerarmos que cada lauda impressa corresponde a quatro
manuscritas. Mantém uma média de duas laudas impressas por semana...
E ele mesmo faz as revisões e correções". Cuno fez esse
depoimento, a 26 de janeiro de 1771, quando Swedenborg estava às
vésperas de completar seu octogésimo terceiro ano de vida! O
conselheiro Sandels comentou, a este respeito, o seguinte: "Não
posso deixar de admirar essa sua obstinação pelo trabalho". E,
quando lembramos que, além dos quase trinta volumes e muitas obras
menores que deixou impressos, há uma grande quantidade de
manuscritos, talvez mais do que as obras que publicou, ficamos
impressionados também e podemos bem entender a observação de seu
cunhado, Bispo Benzelius: "Ele foi muito parcimonioso com seu
tempo".
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Sobriedade
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Também temos muitos relatos sobre os hábitos
pessoais de Swedenborg. Alimentava-se e bebia com moderação, raramente comia carne, e nunca tomava mais de dois ou três cálices
de vinho e, assim mesmo, em reuniões sociais. O Sr. Shearsmith
observa: "Sua dieta excluía quase que inteiramente a carne; pela
manhã só tomava leite e café, fazendo o mesmo à tarde com
acompanhamento de bolos, e não jantava. Gostava de muito açúcar no
café e no leite, bem como bolos açucarados, dizendo que o açúcar o
nutria. Sua moderação com a bebida era tanta que nunca bebia cerveja
ou vinho, ou outra bebida alcoólica, enquanto estava em minha casa.
Levantava-se, geralmente, às cinco ou seis horas da manhã e ficava
estudando ou escrevendo até às oito, quando tomava meio litro de
leite; em seguida, se não saísse, continuava escrevendo ou lendo
até às 3 ou 4 da tarde, quando bebia outro meio litro de leite ou
tomava grande quantidade de café; freqüentemente, ia se deitar às 6
ou 7 da noite, sem nunca jantar". "Quando não tinha convite
para comer fora", diz Robsahm, "seu almoço consistia
somente de biscoitos embebidos no leite".
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Aparência
e traços pessoais
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Cuno disse que
a pintura gravada por Bernigroth,
"é a imagem perfeita de Swedenborg, particularmente os olhos,
que permaneceram vivos, mesmo na velhice". Os olhos eram, indiscutivelmente, seu traço
fisionômico mais marcante. Seu olhar tinha um forte magnetismo, como
descreve a mesma testemunha: "Notei várias vezes como
indivíduos sarcásticos, que tinham vindo às reuniões aonde eu o
tinha levado, e cujo propósito era caçoar do velho Senhor,
esquecerem-se da galhofa e de toda a sua zombaria, e pararem,
estáticos, para ouvir as coisas singulares que falava sobre o mundo
espiritual, como uma criança de coração aberto, sem reservas e com
plena confiança. Era como se seus olhos tivessem o poder de impor
silêncio nos ouvintes".
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Quando se despediu de Cuno pela derradeira vez, em
1769, a conversa girou sobre a possibilidade de os dois amigos nunca
mais se encontrarem. E Swedenborg falou com entusiasmo sobre a grande
mudança que, sabia, estava para lhe acontecer. "E enquanto
falava", disse Cuno, "tinha o olhar tão alegre e inocente,
como eu nunca tinha visto antes. E não o interrompi". Outros
testemunhos falam de sua aparência seráfica e da serenidade de seu
semblante. O Reverendo Thomas Hartley, em carta ao Reverendo John
Clowes, comenta: "Seu semblante tranqüilo e complacente
transmite imensa paz interior". E, quando estava em contato com o
mundo espiritual seu semblante resplandecia radioso, magnetizando os
circunstantes. Porém, sua fisionomia era, ordinariamente. plácida e
complacente.
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A maioria de seus contemporâneos descreve
Swedenborg como de estatura alta, embora, talvez, fosse de altura
mediana. Alguns, entretanto, o descrevem como sendo de baixa estatura.
O Sr. Theodore Compton, aos noventa e um anos de idade, escreveu a
seguinte nota sobre Swedenborg: "Um velho diretor de escola
primária, a quem conheci quando criança, certa vez me contou que
costumava ver Swedenborg em Clerkewell: um homenzinho, amigo
das crianças, distribuindo balas de gengibre às que encontrava pela
rua".
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Sobre sua velhice, o Sr. Shearsmith, seu senhorio,
escreveu: "Antigamente, deve ter sido um homem corpulento, mas a
vida sedentária e intensa dedicação aos estudos deu-lhe uma
compleição franzina e pálida nos últimos anos de vida". O
Reverendo Nicholas Collin, reitor da Igreja Sueca de Filadélfia, que
visitou Swedenborg em 1766, descreve assim sua aparência física:
"Sendo muito idoso quando o vi, era magro e de tez pálida, mas
conservava ainda algo de agradável em feição e de dignidade em seu
porte ereto". Carl C. Gjorwell, bibliotecário da Biblioteca Real
de Estocolmo, que esteve com Swedenborg em 1764, descreve assim sua
compleição física: "Apesar de ser um homem idoso e de cabelos
grisalhos, seus passos são firmes e ágeis, gosta de conversar e fala
com jovialidade. Sua tez pálida e compleição magra mas é
sorridente e cheio de alegria".
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Essa agilidade de Swedenborg, em plena idade
provecta, impressionava a todos que com ele conviviam. Cuno escreveu:
"A respeito da aparência externa do Sr. Swedenborg, ele é,
levando em conta sua idade, de saúde admiravelmente perfeita. É de
estatura mediana e, embora seja vinte anos mais velho que eu, não
teria coragem de desafiá-lo para uma corrida, pois é tão ligeiro
nas pernas como um jovem". E ligeiro era também nas decisões.
Na primeira vez em que foi convidado para jantar em Knauw, Cuno, que
lhe levou o convite pessoalmente, disse: "O velho cavalheiro
aceitou e já estava preparado para ir".
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"E, na última vez em que o vi, em casa do Sr.
Odon, disse-me que em sua boca estava surgindo uma nova dentição. E
quem já ouviu falar da nova dentição num homem de oitenta e cinco
anos de idade?"
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Durante sua última viagem ao exterior, em 1770, o
navio de Swedenborg ficou retido em Elsinore, devido aos ventos
contrários. Lá residia um de seus primeiros discípulos, o general
Christian Tuxen. Este foi a bordo do navio oferecer a Swedenborg a
hospitalidade de sua casa e o encontrou meio indisposto. Porém, assim
que o general acabou de fazer o convite, Swedenborg imediatamente
aceitou, "levantou-se, meteu-se no traje costumeiro e aprontou-se
com a agilidade de um jovem de vinte anos".
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Seu traje usual para visitas era um terno de veludo preto, de corte
tradicional, polainas, espada e uma bengala dourada. Um de seus
biógrafos suecos diz que, "seguindo o costume da época, usava
uma peruca não muito longa. Sua indumentária incluía, ainda, um
sobretudo de veludo azul-acinzentado, e meias longas e sapatos de
fivela de ouro". Outro testemunho diz: "Seu traje de inverno
incluía um belo sobretudo de pele de renas e, no verão, um terno
formal; ambos pareciam bastante surrados, como cabe a um filósofo.
Suas roupas eram modestas. Às vezes saía com um pé de sapato
trocado ou uma camisa que não combinava com o resto da indumentária.
Certa ocasião, Swedenborg compareceu a um jantar na casa do meu pai,
usando em um dos sapatos fivela de prata e no outro uma fivela
cravejada adornada com pedras preciosas, fato que provocou grande
divertimento às meninas presentes, que aproveitaram a ocasião para
caçoar do idoso cavalheiro".
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Cortesia com
as mulheres e polidez
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Embora nunca tenha se casado, Swedenborg não era
indiferente ao sexo oposto, como afirma seu amigo Sandels, "pois
apreciava a companhia de uma mulher inteligente e fina como uma das
fontes mais puras de deleite. Todavia, seus profundos estudos exigiam
que houvesse em sua casa perfeito silêncio de dia e de noite. Por
isso, preferiu permanecer só".
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Cuno conta que, certa vez, Swedenborg conversava,
ladeado por algumas senhoras. "Suas maneiras eram extremamente
refinadas e galantes. Quando anunciaram que o jantar estava servido,
ofereci o braço à anfitriã e imediatamente nosso jovem de oitenta e
um pôs suas luvas e deu o braço à Mademoiselle Hoog, parecendo
estar muito à vontade. Nosso idoso cavalheiro se sentou entre Madame
Konauw e a mais velha das senhoritas Hoog, sendo ambas muito hábeis
na conversação... Parecia desfrutar muito o prazer de ser tão
atenciosamente servido pelas senhoras".
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Cuno observou que "o Sr. Swedenborg transita com
desenvoltura em toda parte, e sabe como lidar tão bem com os
superiores quanto com os inferiores". "Ele não era apenas
um homem erudito" diz Robsham, "mas era também um polido
cavalheiro, pois um homem de tamanha erudição, que, por seus livros,
suas viagens e seu conhecimento de línguas, adquiriu distinção
tanto em casa quanto no exterior, não podia deixar de possuir
maneiras adequadas e tudo o mais que, naqueles tempos tidos como
sérios, faziam que um homem fosse honorável e aceito numa sociedade.
E seu espírito jovial e simpático permaneceu inalterado até na
velhice, embora, em certas ocasiões, sua fisionomia adquirisse
traços incomuns, somente notados em homens de grande gênio".
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Ternura com
as crianças
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Embora não tivesse crianças ao seu redor em casa,
era muito amigo delas. Sendo, ele mesmo, de temperamento jovial e
comunicativo, agradava-lhe a companhia dos inocentes e dos jovens. Uma
senhora, em cuja casa Swedenborg se hospedava quando viajava a
Amsterdam, disse a Cuno: "Meus filhos vão sentir muita falta
dele, pois nunca chegava sem doces para eles. Os malandrinhos
brincavam tanto com o velho senhor que preferiam a companhia dele à
dos próprios pais". Como já foi dito, costumava levar balas nos
bolsos, para distribuir à criançada que encontrava durante suas
caminhadas.
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O Sr. Hart, da Poppin’s Court, na Fleet Street,
foi o tipógrafo de Swedenborg durante muitos anos e o recebia
freqüentemente em sua casa. "Dava atenção à filhinha de Mr.
Hart, que tinha uns três anos quando Swedenborg morreu. "O céu
habita conosco quando somos crianças", escreveu Wordsworth; e
Swedenborg expressara o mesmo pensamento vários anos antes. Sem
dúvida alguma, os contatos de Swedenborg com os anjos lhe davam um
espírito de criança. O Sr. Shearsmith referiu-se, assim, a essa
particularidade de Swedenborg: "Ele parecia levar uma vida de
criança; dava pouco valor ao dinheiro e pagava, sem regatear, o
preço que as pessoas pediam pelas coisas que comprava".
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Outra interessante história é contada por Anders
Fryxel, um historiador sueco: "Minha avó, Sara Greta Askbom,
casada com Anders Ekman, Conselheiro comercial e prefeito distrital,
nasceu e se criou no bairro de Björngärdsgatan, onde seu pai vivera,
não muito longe da casa de Swedenborg, com quem ele tinha
relacionamento. Quando tinha apenas quinze ou dezesseis anos de idade,
ela freqüentemente pedia ao "tio" Swedenborg que lhe
mostrasse um espírito ou um anjo. Depois de muita insistência,
Swedenborg afinal acedeu e a levou para um dos aposentos de hóspedes
da casa. Lá, colocou-a diante de uma cortina que estava abaixada, e
lhe disse: ‘Agora verás um anjo’. Então levantou a cortina e a
jovem viu sua própria imagem refletida num espelho".
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Desprendimento
e honestidade
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Durante muito tempo, Swedenborg publicou seus
trabalhos teológicos anonimamente, não auferindo nenhum benefício
com sua venda. Seu editor londrino, John Lewis, estabelecido na
Paternoster Row, escreveu a seguinte nota num anúncio do segundo
volume da obra Arcanos Celestes: "Quero, de público,
testemunhar que esse cavalheiro, com infatigável labor e pesares,
gastou um ano inteiro preparando e escrevendo o primeiro volume dos Arcanos
Celestes e pagou, pela sua impressão, duzentas libras, tendo
adiantado outras duzentas para este segundo volume. E, tendo feito
isto, deu ordens expressas para que todo o dinheiro fosse dado à obra
de propagação do evangelho. Assim, está muito longe de desejar
obter lucro deste seu labor, visto que não receberá de volta nem um
níquel das quatrocentas libras que gastou. Por essa razão, a obra
chega ao público a um custo extraordinariamente baixo".
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De acordo com Cuno, o público nem sempre conseguia
comprar as obras por esse custo "extraordinariamente baixo",
mas a culpa não era do autor. "Ele tem publicado seus muitos
escritos na Inglaterra e neste país (Holanda) às suas expensas
somente, e nunca ganhou um centavo com sua venda. Todos esses escritos
são impressos em papel caro e, no entanto, ele os dá de graça. Os
livreiros a quem os dá para venda cobram por eles o que podem. De
fato, vendem-no razoavelmente caro, segundo minha própria
experiência, pois tive de pagar quatro florins por uma cópia de seu Apocalipse
Revelado. O livreiro mesmo, porém, me disse que o autor nunca
pede lhe contas nem a qualquer outro negociante".
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Cumpre citar outro incidente relativo aos negócios de
publicação, como testemunho da absoluta fidelidade de Swedenborg.
Desejou publicar sua obra Verdadeira Religião Cristã em
Paris, e submeteu-a à aprovação do Censor de imprensa. A permissão
para publicação foi dada, com a condição de que a edição saísse
como tendo sido publicada em Londres ou Amsterdam, como era de
costume. Todavia, não era assim que Swedenborg agia, e, por isso
tomou seu manuscrito e foi publicá-lo em Amsterdam com um editor
honesto.
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Sinceridade
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Sinceridade e franqueza
foram qualidades marcantes da personalidade de Swedenborg, como
afirmaram muitos que o conheceram. A Sra. Hart, esposa de seu
tipógrafo londrino, disse ao Sr. Provo que "Swedenborg era de
uma natureza tal que nunca tentou impor suas idéias a ninguém;
falava sempre a verdade sobre os assuntos mais insignificantes e nunca
usaria de evasivas, ainda que sua vida estivesse em risco". Esse
depoimento é corroborado por outros contemporâneos de Swedenborg.
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O abade Pernety se
expressou assim sobre o nosso biografado: "Swedenborg era muito
gentil, mas também franco, e nunca traiu a verdade por temor de
homens nem por qualquer outra razão".
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Em carta escrita ao General Tuxen, datada
de 21 de maio de 1773, o conde Höpken escreve: "O saudoso
Swedenborg foi, certamente, um modelo de sinceridade, virtude e
piedade, e, ao mesmo tempo, na minha opinião, o homem mais culto
deste reino". E, em outra passagem, se refere a Swedenborg como
"aquele honesto ancião".
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Referindo-se à nomeação
de Swedenborg para o Conselho de Mineração, o conselheiro Sandels
salientou que, apesar de muito jovem, Swedenborg "já era muito
conhecido em seu próprio país e no exterior, por suas aquisições
em literatura geral e em ciências, e por sua conduta digna".
Sandels referiu-se, ainda, à "sua disposição genuinamente
boa" e declarou que "Swedenborg deveria servir de modelo de
virtude e de reverência ao Criador, porque nele não havia
procedimento dúbio". E continua: "Não se viu nele nenhum
sinal de arrogância, grosseria ou intenção de enganar".
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Testemunho
cristão e religiosidade
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Por alguns anos, Swedenborg raramente ia à igreja,
o que provocou severas críticas de seus inimigos e algumas
interpelações de amigos mais íntimos. Robsahm explica que
"Swedenborg não podia continuar aceitando como verdade
pregações tão diferentes de suas revelações. Além disso, já
enfrentava graves problemas de saúde". O próprio Swedenborg
confidenciou ao Reverendo Ferelius que "já não encontrava paz
na igreja, por causa dos anjos que discordavam do que o ministro
dizia, especialmente quando o assunto do ministro era as três pessoas
da Divindade, o que é o mesmo que três deuses".
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Um sabatista comentou com Shearsmith que Swedenborg
não podia ser considerado um bom cristão, pois não guardava o
"Sabbath". Shearsmith respondeu-lhe que, "para um homem
bom como Swedenborg, todos os dias de sua vida eram
"sabbath".
Em outra ocasião, um
criado e sua esposa, pessoas simples, que trabalhavam para Swedenborg
há muitos anos, vieram dizer-lhe que não poderiam mais trabalhar
ali, pois o pastor lhes havia dito que Swedenborg não era cristão.
Ele respondeu que, tendo trabalhado para ele por tantos anos, se eles
se lembrassem de algum dia ele ter praticado algum ato não cristão,
estariam livres para partir. O casal ficou.
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